Macron quer duplicar investimentos franceses na Tunísia até 2022

02 Fev 2018 / 05:12 H.

O Presidente francês, Emmanuel Macron, defendeu hoje em Tunes a herança da “Primavera árabe”, apostou na reativação da francofonia como instrumento de política externa e pediu a duplicação dos investimentos franceses na Tunísia até 2022.

No segundo e último dia da sua visita oficial à Tunísia, Macron exortou hoje as empresas francesas a investirem com o objetivo de duplicar os investimentos gauleses até 2022 e ajudar o país do Magrebe a relançar a sua economia.

Em paralelo, a sua aposta numa maior presença cultural e educativa francesa no norte de África coincide com as críticas de analistas e especialistas franceses de locais que sublinham as contradições nesta abordagem, decidida há alguns meses, indica a agência noticiosa Efe.

O chefe do Eliseu também anunciou a próxima fundação em Tunes de uma nova universidade franco-africana, a primeira em 60 anos, e quando os restantes centros educativos franceses do país do norte de África cumpriam uma greve em protesto contra cortes de mais de 30 milhões de euros.

“A política de Macron é contraditória. Pede uma ampliação dos projetos e em simultâneo opta por precarizar os existentes”, explicou à Efe um dos professores que aderiu ao dia de “escola morta”.

Macron discursara antes no parlamento tunisino, onde defendeu a revolução de 2011 e reiterou o apoio de Paris ao processo de transição democrático.

O Presidente francês assegurou que o processo impulsionado pela “revolução do Jasmim” de dezembro de 2010-janeiro de 2011 ainda não está concluído, mas considerou a Tunísia “um modelo a seguir”, porque apesar das dificuldades concretizou “uma profunda revolução cultural”, instalou a democracia e ampliou as liberdades.

No início de janeiro, o país magrebino foi confrontado com uma vaga de agitação social motivada no essencial pela perda do poder de compra da população e por diversas medidas inscritas no orçamento de Estado para 2018.

De acordo com o ministério do Interior, mais de 930 pessoas foram detidas, em particular devido aos distúrbios noturnos e atos de pilhagem, também criticados pelos organizadores dos protestos.

Após vários dias de contestação, assinalados por confrontos entre polícias e jovens manifestantes em diversas cidades pobres e bairros populares de Tunes, a calma parece ter regressado na globalidade ao país do norte de África.

Macron chegou na quarta-feira a Tunes, onde para além dos temas de economia, democracia e educação, abordou questões de segurança, defesa e políticas regionais, em particular o conflito na vizinha Líbia.

Na sequência do encontro com o seu homólogo tunisino Beji Caid Essebsi, 91 anos, Macron anunciou oito novos acordos assentes em quatro pilares: colaboração em matéria de segurança, justiça e defesa; educação superior, cooperação cultural e relançamento das empresas tunisinas.

Com este objetivo, o Presidente francês, que visitou uma antiga colónia do extinto império que obteve a independência em 1956, reuniu-se hoje com responsáveis económicos e sindicais em Tunes, inaugurou um ambicioso fórum económico e reiterou o compromisso de apoiar a reforma da administração tunisina através de um avultado programa gerido pela agência de cooperação francesa.

Na quarta-feira, a diretora do FMI, Christine Lagarde, considerou que as reformas na Tunísia devem “ser aceleradas” e referiu-se à necessidade de uma “economia estabilizada onde os investidores estão tranquilos, as empresas reinvestem, e estão de novo preparadas para criar emprego”.

A Tunísia, em dificuldades financeiras após diversos anos de marasmo económico, em particular devido à queda do turismo após uma série de atentados em 2015, obteve no ano seguinte um empréstimo de 2,4 mil milhões de euros em quatro anos do FMI. Em troca, comprometeu-se a uma redução do défice público e a reformas económicas.

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