Liga Árabe convoca reunião extraordinária a pedido de Riade para discutir Irão

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13 Nov 2017 / 05:36 H.

Os chefes da diplomacia dos países árabes vão reunir-se “de urgência” no próximo domingo na sede da Liga Árabe, a pedido da Arábia Saudita, para discutir “violações” do Irão na região, disseram hoje fontes diplomáticas.

A notícia da reunião surge num contexto de guerra de palavras entre os dois grandes rivais no Médio Oriente, a Arábia Saudita sunita e o Irão xiita, e quando a incerteza é grande no Líbano após a demissão inesperada do primeiro-ministro Saad Hariri.

Segundo um documento interno divulgado à agência France Presse por diplomatas árabes, o Bahrein e os Emirados Árabes Unidos apoiaram o pedido da Arábia Saudita, também aprovado pelo Djibuti, que ocupa a presidência rotativa da organização pan-árabe com sede no Cairo.

O pedido da Arábia Saudita diz respeito ao míssil disparado em 04 de novembro pelos rebeldes iemenitas Huthis, apoiados pelo Irão, e que foi intercetado perto de Riade, segundo a mesma fonte.

O príncipe herdeiro saudita Mohammed bin Salman acusou então Teerão de “agressão militar direta” ao seu país. O Irão desmentiu qualquer envolvimento, apelando a Riade para não “brincar com o fogo”.

Para convocar a reunião extraordinária no Cairo, Riade também mencionou o incêndio de um oleoduto que interrompeu momentaneamente no sábado a distribuição de petróleo saudita ao Bahrein.

Manama, aliada da Arábia Saudita, denunciou um “ato de sabotagem (...) e de terrorismo” da parte do Irão, que desmentiu igualmente.

“As violações cometidas pelo Irão na região árabe minam a segurança e a paz, não apenas na região árabe, mas no mundo”, segundo o documento.

Desde 05 de junho, a Arábia Saudita, os Emirados, o Bahrein e o Egito cortaram as relações com o Qatar, acusando-o de “apoiar o terrorismo” e de se aproximar do Irão.

Por outro lado, a Arábia Saudita está a ser acusada de estar por trás da demissão há uma semana do primeiro-ministro libanês, quando se encontrava em visita a Riade.

Grupos políticos libaneses consideram que Hariri está retido contra a sua vontade na Arábia Saudita, que teria forçado a demissão do chefe do governo libanês para atingir o seu parceiro no executivo, o movimento xiita Hezbollah, apoiado pelo Irão.