Katumbi impedido de regressar à RDCongo para apresentar candidatura presidencial

04 Ago 2018 / 06:59 H.

O ex-governador da província de Katanga, Moise Katumbi Tchapwe, foi hoje impedido de regressar, por via terrestre e aérea, à República Democrática do Congo (RDCongo), para formalizar a sua candidatura às eleições presidenciais congolesas de 23 de dezembro.

O anúncio foi feito esta tarde pelo próprio Moise Katumbi Tchapwe na sua conta oficial na rede social Twitter, afirmando estar junto à fronteira da RDCongo, a partir da Zâmbia.

“O regime proíbe o meu desembarque e barrica a fronteira. O meu crime? Querer entrar no meu país e apresentar a minha candidatura [às eleições presidenciais]”, escreveu Katumbi, um dos principais rostos da oposição a Joseph Kabila, Presidente da RDCongo.

“Ao tentarem bloquear-me, retiram aos congoleses o seu direito de ter eleições justas. Eu vou lutar”, afirmou ainda o líder do movimento “Ensemble pour le Changement” (”Juntos pela Mudança”).

O voo que levaria hoje Moise Katumbi Tchapwe de regresso à RDCongo não recebeu autorização para aterrar no país, levando o anunciado candidato presidencial a viajar por terra, a partir da fronteira com a Zâmbia, ainda durante a manhã, tendo encontrado a mesma encerrada e, segundo divulgou, uma “multidão” à sua espera.

Moise Katumbi planeava aterrar no Aeroporto Internacional de Luano, em Lubumbashi, no sudeste do país, para formalizar a candidatura às eleições presidenciais de 23 de dezembro, mas foi proibido pela administração local e pela Autoridade para a Aviação Civil (AAC) de entrar no espaço aéreo congolês, denunciaram apoiantes.

O avião de Moise Katumbi, proveniente da África do Sul, seguiu assim para Ndola, no norte da Zâmbia, próximo da fronteira com a RDCongo.

De acordo com órgãos de comunicação social locais, Katumbi -- visado por mandado de prisão de 2016 - e a sua comitiva saíram numa caravana de veículos em direção a Kasumbalesa, uma cidade fronteiriça entre a Zâmbia e a RDCongo.

De acordo com vários relatos na plataforma Twitter, Katumbi e a comitiva chegaram a Kasumbalesa por volta das 12:45 locais (11:45 em Lisboa).

Enquanto seguia para Kasumbalesa, Katumbi passou por vários apoiantes que responderam ao apelo feito pelo opositor do Presidente Kabila, vestindo peças de roupas brancas, como atestam vídeos partilhados pela conta de Michael Tshibangu, que se apresenta como conselheiro de Katumbi, igualmente no Twitter.

Também no Twitter é possível encontrar várias publicações que revelam uma forte mobilização das forças policiais na cidade de Lubumbashi, desde a manhã.

A organização não-governamental RDC Vision National partilhou ao início da manhã de hoje algumas fotos que mostravam veículos de água quente e vários agentes das polícias a dispersar a população no centro de Lubumbashi.

Na quarta-feira, Katumbi declarara o regresso à RDCongo para anunciar a sua candidatura às próximas eleições presidenciais.

As eleições congolesas estavam inicialmente marcadas para dezembro de 2016 e, “por razões técnicas”, foram adiadas para o mesmo mês de 2017, não se tendo chegado a acordo para a concretização da votação, uma vez que Kabila voltou a adiá-las para 23 de dezembro deste ano.

A polícia da RDCongo avisou na quinta-feira que iria executar um mandado de prisão datado de 2016 para capturar Moise Katumbi Tchapwe.

Katumbi foi condenado à revelia em junho de 2016 e sentenciado a uma pena de prisão de 36 meses pela venda de uma casa que não era sua.

O caso tem contornos semelhantes ao que envolveu outro político congolês, Jean-Claude Muyambo, condenado sob as mesmas circunstâncias.

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