Instituto de Imprensa denuncia ameaças a jornalistas e abuso de poder na Venezuela

12 Set 2018 / 09:23 H.

O Instituto de Imprensa e Sociedade da Venezuela (IPYS, na sigla em castelhano) denunciou na terça-feira casos de violações da liberdade de expressão na Venezuela, abusos de poder e ameaças aos jornalistas no exercício da profissão.

“Nos primeiros dias de setembro, o IPYS Venezuela, registou sete casos de violações contra a liberdade de expressão, por abusos de poder, ameaças e agressões físicas, que obstruíram o livre trânsito e a cobertura informativa em cinco Estados (do país)”, explica num comunicado enviado à agência Lusa.

Segundo o IPYS, nos primeiros dias de setembro ocorreram “sete alertas de restrições e acções de intimidação contra jornalistas, repórteres gráficos e meios de comunicação” em Caracas e nos estados venezuelanos de Lara, Monágas, Amazonas e Zúlia.

“A maioria destes incidentes foram detenções arbitrárias exercidas por funcionários de organismos estatais”, sublinha.

O IPYS indica que o director do portal de notícias Runrunes, Nelson Bocaranda, viu o seu passaporte anulado, sem ordem judicial alguma, o que o impossibilitou de sair do país com a mulher, para fazer férias.

Por outro lado, em Lara, um jornalista e um repórter gráfico do diário El Informador foram agredidos física e verbalmente por três indivíduos durante um trabalho no Mercado Maiorista de Marquisimeto.

Em Monágas foram detidos dois jornalistas do diário El Periódico que faziam a cobertura do Mercado Municipal de Maturín. Por outro lado, funcionários da Polícia de Caracas detiveram o jornalista Carlos Júlio Rojas, na capital do país.

No Estado de Amazonas a Guarda Nacional Bolivariana (polícia militar) reteve, durante mais de quatro horas, uma equipa de jornalistas do diário El Nacional, que se dirigia a Puerto Ayacucho para informar sobre a subida do caudal de água do Rio Orinoco.

No comunicado explica-se ainda que um incêndio destruiu a sede da Rádio Fé e Alegria, de Paraguaipoa (oeste do país), devido a uma sobrecarga eléctrica, e que o canal de televisão regional Monágas Visión, no Estado de Monágas (sudoeste de Caracas), cessou as emissões por não contar com os recursos para pagar o novo aumento do salário mínimo, imposto pelo Governo .

Quanto à anulação de passaportes, o IPYS diz que já antes tinham ocorrido situações semelhantes com os jornalistas César Miguel Rondón, Nitu Pérez Osuma e Abraham Torres.

No caso de César Miguel Rondón, a anulação do passaporte teve lugar um dia depois de o Presidente Nicolás Maduro dizer que deveria ser preso por opiniões publicadas na rede social Twitter sobre protestos ocorridos no país e por repreender pessoas vinculadas com o Governo.

Segundo o IPYS, os correspondentes estrangeiros são também alvo de “arbitrariedades”. A 28 de Junho de 2018 o jornalista mexicano Abraham Torres foi impedido de entrar no país e um funcionário do Serviço Administrativo de Identificação, Migração e Estrangeiros (SAIME) rasgou o seu passaporte.

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