Ilhéus gregos protestam em Atenas contra sobrelotação causada por migrantes

06 Dez 2017 / 02:22 H.

Os habitantes das ilhas gregas protestaram ontem em Atenas, em frente ao ministério das Migrações grego, contra as condições cada vez mais precárias, devido à sobrelotação, com que são confrontados os migrantes e refugiados recém-chegados.

Os presidentes das câmaras das ilhas de Lesbos, Chios e Samos, juntamente com dezenas de residentes, viajaram até ao continente para exigir ao Governo medidas para reduzir a sobrelotação.

“Há elevados números de pessoas que vivem em condições desumanas, em condições terríveis, condições perigosas, e, ao mesmo tempo, a coesão social está em perigo nas nossas ilhas”, declarou o presidente da câmara de Lesbos, Spyros Galinos, explicando por que razão quer que o número de migrantes na sua ilha seja reduzido.

Nos termos de um acordo entre a União Europeia e a Turquia alcançado no ano passado para reduzir o número de migrantes que entram em território UE, aqueles que chegam às ilhas gregas provenientes da costa turca são retidos em campos nas ilhas e enfrentam a deportação para a Turquia, a não ser que sejam bem-sucedidos nos seus pedidos de asilo à Grécia.

O longo processo conduziu a uma acentuada sobrelotação: em Lesbos, cerca de 6.500 pessoas estão enfiadas em instalações com capacidade para apenas 2.300.

“Não há espaço, não há solução com esta política. Se não reagimos agora, o problema continuará a crescer. A dada altura, a bolha rebentará e as coisas ficarão completamente incontroláveis”, disse Galinos.

Os grupos de defesa dos direitoa humanos também têm repetidamente dado voz à sua preocupação quanto às condições de vida nas ilhas gregas, especialmente no inverno.

As autoridades têm estado a transferir centenas de migrantes considerados mais vulneráveis da ilha para campos no continente, mas com mais pessoas a chegar, essas transferências não aliviou a pressão nas instalações sobrelotadas das ilhas.

Michalis Angelopoulos, presidente da câmara da pequena ilha de Samos, cuja população permanente ronda as 6.500 pessoas, descreveu a situação como “crítica”, dizendo que há 3.172 migrantes ou refugiados em Samos, que tem instalações para apenas 800.

O Governo grego diz que não pode transferir todos aqueles que chegam ilhas orientais do mar Egeu, porque fazê-lo violaria o acordo UE-Turquia, mas os autarcas ilhéus rejeitam tal argumento.

A Grécia e a UE têm que “adotar medidas reais e aplicar políticas reais”, defendeu o presidente da câmara de Chios, Manolis Vournous.

“Se uma política não está a funcionar ou só funciona às custas da ilha e às custas dos refugiados, então não é uma verdadeira política”, acrescentou.

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