Governo de Belgrado propõe estátua em honra do PM assassinado Zoran Djindjic

13 Mar 2018 / 04:00 H.

Um monumento em homenagem ao primeiro-ministro sérvio Zoran Djindjic, assassinado faz hoje 15 anos, vai ser erguido em Belgrado, numa decisão que coincide com a possibilidade de se erguer outro em honra de Slobodan Milosevic.

“O Governo considera que é seu dever financiar a edificação de um monumento a um homem assassinado quando ainda era primeiro-ministro”, indica um comunicado oficial.

O pró-europeu Djindjic foi atingido por um atirador de elite em pleno dia à entrada da sede do governo em Belgrado em 12 de março de 2003, dois anos após ter assumido funções. Tinha 50 anos.

O seu nome foi atribuído a uma das avenidas de Belgrado.

Djindjic foi o líder da revolta popular que, em outubro de 2000, derrubou o Presidente Slobodan Milosevic, que dirigiu a Sérvia e a “terceira Jugoslávia” (Sérvia e Montenegro) no decurso dos conflitos que desmembraram a Jugoslávia federal na década de 1990.

Milosevic recusava abandonar o poder apesar da sua derrota eleitoral nas presidenciais de outubro de 2000 face ao candidato da oposição unida Vojislav Kostunica, e que de início não reconheceu.

O governo de Djindjic aceitou transferir Milosevic para o Tribunal Prnal Internacional para a ex-Jugoslávia (TPIJ), com sede em Haia, onde começou a ser julgado por genocídio, crimes de guerra e contra a humanidade. Morreu na sua cela antes do veredicto, em 11 de março de 2006.

Esta decisão permitiu uma aproximação com a União Europeia, mas continua a ser considerada uma traição por parte considerável da população sérvia.

Fundado por Milosevic, o Partido Socialista da Sérvia (SPS), membro da actual coligação no poder em Belgrado dominada pelo Partido Progressista Sérvio (SNS, conservador) do Presidente Alexander Vucic, sugeriu na semana passada que fosse erguido um monumento em memória do seu antigo líder.

O SPS é hoje dirigido por Ivica Dacic, ministro dos Negócios Estrangeiros, e que era porta-voz do partido durante o consulado de Milosevic.

“Estou de acordo com a ideia [de erguer um monumento a Milosevic] mas a última palavra deve pertencer às autoridades municipais de Belgrado”, declarou no fim de semana ao diário Vecernje Novosti.

Em 2016, o SPS propôs sem sucesso a edificação de um monumento a Milosevic, que tem sido definido como um dos principais responsáveis pelos conflitos na ex-Jugoslávia (1991-1999) que provocaram mais de 130.000 mortos.

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