Governo da Venezuela diz ter iniciado com êxito refinanciamento da dívida externa

14 Nov 2017 / 21:26 H.

O governo venezuelano divulgou hoje um comunicado em que afirma ter iniciado com êxito o processo de reestruturação da sua dívida externa, solicitado pelo presidente Nicolás Maduro.

“O Governo da Venezuela quer informar ao mundo que (...) se iniciou com um rotundo êxito, o processo de refinanciamento da dívida externa, como estratégia para cumprir cabalmente com as nossas obrigações”, lê-se no comunicado.

O comunicado faz referência aos resultados da reunião de segunda-feira em Caracas, entre a Comissão Presidencial para a reestruturação da dívida e detentores dos títulos de dívida do estado venezuelano e da empresa estatal Petróleos de Venezuela SA (PDVSA).

“Classificamos a reunião, em que participaram detentores da dívida venezuelana provenientes da Venezuela, Estados Unidos, Panamá, Inglaterra, Portugal, Colômbia, Chile, Argentina, Japão e Alemanha, como altamente positiva e muito auspiciosa”, sublinha-se no documento.

Segundo o comunicado, a reestruturação da dívida tem lugar apesar das tentativas do Escritório de Controlo de Activos Estrangeiros (OFAC), do departamento de estado norte-americano, “para agredir a economia” venezuelana “e entorpecer o que tem sido uma constante na conduta” de Caracas, “de respeito pelos compromissos”.

“Têm sido honrados (os compromissos), mais além das dificuldades que atravessamos e dos bloqueios que tentem perpetrar-se com maliciosas intenções”, salienta.

Segundo o documento, nos últimos 36 meses a Venezuela pagou juros no valor global de 73.359 milhões de dólares (63.240 milhões de euros) e a cada pagamento as agências de ‘rating’ aumentaram o risco do país, apesar de serem “profundamente pouco eficazes” na prevenção de crises financeiras nos EUA, Europa e Ásia, sendo antes “usadas como instrumento” para atacar Caracas.

Na reunião de segunda-feira participaram uma centena de credores, segundo a imprensa venezuelana.

Teve uma duração de apenas 30 minutos e concluiu sem a apresentação de propostas de reestruturação e refinanciamento dos títulos de dívida venezuelanos e sem que os participantes tivessem tido a oportunidade de fazer perguntas.

Na reunião, o vice-presidente da Venezuela, Tareck El Aissami, acusou o Escritório de Controlo de Activos Estrangeiros do departamento de estado dos Estados Unidos de actuar como “um tribunal da inquisição”, de bloquear e fazer um cerco financeiro ao seu país.

E, acrescentou o vice-presidente venezuelano, “acabou com as poucas vias que ainda permitiam que a Venezuela se desenvolvesse amplamente no mercado financeiro internacional”.

Tareck El Aissami, que também preside à Comissão Presidencial para renegociar os termos da dívida externa e da petrolífera venezuelana, insistiu que a reestruturação convocada pelo presidente Nicolás Maduro, tinha como propósito superar as “agressões financeiras norte-americanas” e “garantir atenção social ao povo venezuelano”.

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