Governo da África do Sul crítica Donald Trump por divulgar “informações falsas”

23 Ago 2018 / 16:07 H.

O Ministério das Relações Internacionais e Cooperação da África do Sul considerou hoje como “informações falsas” as declarações do Presidente norte-americano, Donald Trump, sobre a redistribuição de terras e criminalidade naquele país.

Em comunicado, o gabinete da ministra Lindiwe Sisulu refere que “notou os comentários infelizes” no Twitter, feitos por Donald Trump.

“É lamentável que o ‘tweet’ seja baseado em informações falsas”, afirma na nota a governante.

De acordo com o comunicado, as autoridades sul-africanas vão reunir-se hoje com a embaixada dos Estados Unidos da América em Pretória, para esclarecer o assunto.

A ministra Sisulu afirma que irá também comunicar com o Secretário de Estado dos EUA, Michael Pompeo, por via diplomática.

O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou na quarta-feira que pediu ao Secretário de Estado, Michael Pompeo, uma “análise aprofundada” sobre as “expropriações de terras e fazendas agrícolas” e os “assassinatos em grande escala de agricultores” na África do Sul.

“O Governo sul-africano está a agora a confiscar terras de agricultores brancos”, acrescentou o Presidente Trump na sua mensagem no Twitter.

As declarações de Trump motivaram Pretória a acusar de imediato Donald Trump de “dividir o país”.

A moeda nacional, o Rand, desvalorizou 1,5 por cento em relação ao dólar norte-americano na manhã de hoje, após o tweet de Donald Trump.

Os comentários de Trump inflamaram o debate sobre a posse da terra na África do Sul, uma sociedade onde persistem profundas desigualdades económicas e sociais, vinte e quatro anos depois de o partido ANC, de Nelson Mandela, ter assumido a governação, com o fim do regime do apartheid.

O Presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, anunciou a 1 de Agosto que o Congresso Nacional Africano (ANC), no poder desde 1994, decidiu alterar a Constituição da República para expropriar sem compensação financeira propriedades privadas, nomeadamente agrícolas, afirmando que os brancos ainda são donos da grande parte da terra no país.

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