Ex-líder catalão diz que região ainda não está pronta para a independência

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06 Out 2017 / 22:44 H.

O ex-presidente do governo regional catalão (Generalitat) Artur Mas afirmou que a Catalunha ainda não está preparada para uma “independência real”, numa entrevista publicada hoje no diário britânico Financial Times (FT).

A região catalã “ganhou o direito de converter-se num Estado independente”, disse Artur Mas ao título económico, reconhecendo, no entanto, a existência de um debate entre os líderes catalães sobre se este é o momento de declarar unilateralmente a independência.

“A pergunta que se impõe agora é como exercemos esse direito e aqui há obviamente decisões a tomar. E essas decisões devem ter um objectivo em mente: não se trata apenas de proclamar a independência, mas temos realmente de transformarmo-nos num país independente”, prosseguiu o político, que assumiu a presidência da Generalitat entre dezembro de 2010 e janeiro de 2016.

Artur Mas frisou que “para ser independente, existem algumas coisas que (a região) ainda não tem”, numa referência a áreas como o controlo territorial, sistema judicial ou sistema tributário.

Em março de 2017, o Tribunal Superior de Justiça da Catalunha condenou Artur Mas a dois anos de inelegibilidade. Na altura, o ex-presidente da Generalitat foi condenado por ter desobedecido à ordem do Tribunal Constitucional e mantido o referendo à independência da Catalunha que se realizou a 09 de novembro de 2014.

O diário britânico escreveu que os comentários feitos hoje pelo ex-líder catalão serão interpretados como um pedido de cautela, numa altura em que algumas empresas, nomeadamente bancos catalães, já anunciaram a transferência das suas sedes de Barcelona para outras cidades espanholas.

Estas entidades adoptaram esta medida depois de o Conselho de Ministros espanhol ter aprovado hoje um decreto-lei que facilita e acelera a tarefa das empresas que queiram mudar a sua sede social da Catalunha para outras regiões do país.

O governo espanhol considera ilegal e inconstitucional o referendo sobre independência realizado no domingo passado na Catalunha, que foi marcado por uma forte repressão policial.

Depois da consulta popular, em que participaram 42% dos eleitores que votaram maciçamente no ‘sim’, os líderes catalães anunciaram a intenção de declarar unilateralmente a independência.

O chefe do governo da Catalunha, Carles Puigdemont, pediu hoje para comparecer no parlamento regional na terça-feira, 10 de outubro, atrasando em um dia as explicações à assembleia sobre os passos que conta dar depois do referendo de autodeterminação.