Ex-autarca de Barcelona na lista dos “Papéis do Paraíso” sobre offshores

06 Nov 2017 / 10:06 H.

O ex-presidente da Câmara de Barcelona e presidente do grupo municipal PDeCat, Xavier Trias, é um dos políticos espanhóis que constam da investigação que implica políticos, empresários, artistas e futebolistas de todo o mundo em paraísos fiscais.

De acordo com informações publicadas em Espanha pela estação de televisão laSexta, El Confidencial, Xavier Trias e familiares constam como titulares de uma conta num paraíso fiscal nas Ilhas Virgens.

O político espanhol negou as acusações que foram transmitidas pela estação de televisão adiantando que chegou a receber dinheiro proveniente de uma herança mas que foi investido por um irmão que morreu em 2016.

Xavier Trias diz que “não tem conhecimento” de ter recebido dinheiro através de “qualquer ‘trust’ ou de qualquer coisa parecida”.

As informações que foram noticiadas pelos meios de comunicação espanhóis referem também que o antigo membro da banda espanhola “Mecano”, José Maria Cano, está ligado a sociedades empresariais em Curação, nas Antilhas, e em Malta.

A investigação do Consórcio Internacional de Jornalismo de Investigação (ICIJ) com o título “Papéis do Paraíso” conta com a participação de 382 jornalistas de mais de meia centena de órgãos de comunicação de todo o mundo, incluindo Portugal, e que analisam 13 milhões de documentos referentes a “territórios opacos” dos últimos 70 anos.

Os documentos são provenientes da empresa de advogados Appleby and Asiatici Trust, revelados através de contactos do jornal alemão Suddeutsche Zeutung, e pertencem a 19 jurisdições distantes que constam da lista de paraísos fiscais da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE).

Entre outras, as figuras relacionadas com os paraísos fiscais, de acordo com as informações publicadas pelo ICIJ, contam-se a rainha Isabel II de Inglaterra, o presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, o secretário de Estado do Comércio dos Estados Unidos, Wilbur Ross e o ex-chanceler alemão Gerhard Schroder.

Da lista fazem parte Bono, vocalista da banda irlandesa U2 e a cantora norte-americana Madonna.

De acordo com os meios de comunicação que participam na investigação trata-se da maior revelação de documentos referentes a paraísos fiscais e com “uma relevância mais importantes do que os ‘Papéis do Panamá’”.

Entre outras, participam na investigação as redações do New York Times, BBC, Guardian, La Nación, Le Monde ou semanário Expresso.

“Nos arquivos da Appleby, a operadora de ‘offshores’ que é a principal origem da nova fuga de informação do ICIJ, foram encontrados mais de 70 cidadãos portugueses, incluindo uma série de antigos administradores do Grupo Espírito Santo e do BPN. Muitos dos nomes encontrados trabalham lá fora, na indústria financeira global”, escreve o Expresso na edição on-line sobre informações referentes a portugueses alegadamente envolvidos.

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