Escândalo do assédio sexual nos EUA chega ao Congresso

14 Nov 2017 / 21:41 H.

Duas eleitas da Câmara dos Representantes dos EUA afirmaram hoje que pelo menos dois congressistas actuais, não identificados, fizeram assédio sexual no Congresso.

Depois de Hollywood e da comunicação social, a política norte-americana não foi poupada pelo flagelo do assédio. No Capitólio, a palavra liberta-se contra práticas existentes há muito tempo, nomeadamente entre 1.500 antigos colaboradores que escreveram uma carta aberta, em que apelaram à reforma de procedimentos internos para gerir este tipo de casos.

Jackie Speier, uma eleita democrata pelo Estado da Califórnia, declarou durante uma audição sobre o assunto que dois congressistas, um republicano e um democrata, fizeram assédio sexual.

“Tive numerosas reuniões e numerosas conversas telefónicas com colaboradores, actuais e antigos, homens e mulheres, que sofreram este comportamento indesculpável e com frequência ilegal”, disse.

Descreveu a atmosfera de predação sexual reinante no Capitólio e o caso de “vítimas cujas partes íntimas foram agarradas no hemiciclo da Câmara”.

Ela própria, quando era assistente parlamentar há várias décadas, foi vítima de tais práticas. “Muitas de nós conhecemos a situação, porque o Congresso tem sido, desde há muito, terreno de um ambiente profissional hostil”, disse, em depoimento prestado por vídeo, em Outubro.

A sua colega republicana Barbara Comstock também usou da palavra para contar o caso de uma jovem assistente parlamentar encarregada de levar documentos à residência privada do seu eleito. Quando ele abriu a porta, estava nu.

“Nessa altura, ele decidiu exibir-se. Ela partiu e depois demitiu-se”, contou Comstock. Este eleito parece ser um dos dois citados por Jackie Speier, mas ainda não foi divulgado qualquer nome.

Os congressistas querem alterar o procedimento interno no congresso, que é muito longo e complexo, para permitir às vítimas de assédio contar o sucedido sem receio de represálias.

Os chefes parlamentares querem enviar a mensagem de que este tipo de comportamento é inaceitável e, em paralelo, cortaram relações com um candidato republicano ao Senado, no Estado do Alabama, Roy Moore, um antigo magistrado ultraconservador acusado de abusos sexuais sobre dois menores há cerca de 40 anos.

A eleição está prevista para 12 de Dezembro, mas Moore, que nega qualquer agressão sexual, recusou até agora desistir da corrida, como os dirigentes do partido republicano já lhe pediram. Hoje foi o presidente da Câmara dos Representantes, Paul Ryan, a somar-se aos apelos para que desista.

Outras Notícias