Desde o dia 1 de Janeiro 2018 verificaram-se 1.980 apagões na Venezuela

14 Mar 2018 / 03:30 H.

Desde 1 de Janeiro último ocorreram mais de 1.980 apagões eléctricos na Venezuela, 116 deles na capital, Caracas, segundo dados divulgados hoje pelo Comité de Afetados pelos Apagões (CAA).

“As constantes interrupções de energia deixaram de ser intermitentes e converteram-se em longos períodos de até 72 horas”, explicou a porta-voz do CAA, precisando que o Estado venezuelano de Mérida esteve sem eletricidade entre a última sexta-feira e a manhã de segunda-feira.

Segundo Aixa López em Caracas, a cidade capital do país, os apagões ainda são intermitentes, mas noutras regiões do país, como Arágua, Trujillo, Delta Amacuro, Miranda, Portuguesa, Barinas, Zúlia e na região de Los Andes “os apagões duram mais de 12 horas”.

“Há entidades que passam meio dia (12 horas) sem luz, que depois regressa e falta de novo por mais três horas”, explicou aos jornalistas.

Para o CAA as falhas eléctricas, “cada vez mais repetitivas e prolongadas” são provocadas “pela deterioração” do sistema na fase de geração elétrica, transmissão e distribuição, principalmente pela falta de manutenção necessária.

Até há poucos meses Caracas era tida como a “cidade blindada” aos apagões, mas também aí as falhas são cada vez mais frequentes, e que podem acontecer em qualquer momento devido à instabilidade do sistema, avariando electrodomésticos e dificultando aspetos da vida diária, como ir trabalhar.

No passado domingo o ministro de Energia Elétrica, Luís Motta Domínguez, disse à televisão estatal venezuelana que a principal causa das falhas de eletricidade é a “forte seca” nas zonas do oeste do país, que tem feito baixar o nível das águas das barragens de Leonardo Ruiz Pineda, La Vueltosa e Peña Larga.

Estas barragens fornecerem 500 Megawatts de energia aos Estados do oeste do país, entre eles Barinas, Trujillo, Mérida, Portuguesa, Apure e Táchira, que nos últimos cinco dias registaram longas interrupções do serviço.

A situação, segundo o ministro deverá manter-se durante os próximos 15 dias.

Os problemas de luz têm motivado vários protestos da população, nos últimos dias, naqueles seis Estados do país e fizeram surgir queixas de centros de saúde como o Hospital Central de San Cristóbal (Estado de Táchira), pelos danos que tem ocasionado aos equipamentos médicos de cardiologia e da sala de cirurgia médica.

Os pacientes queixam-se também que os apagões estão causando dificultando o processo de diálise naquele hospital, onde a gerada eléctrica foi atacada por ladrões.

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