Centenas de manifestantes detidos na Rússia em dia de eleições locais

Mais de 830 apenas porque protestavam conta a reforma das pensões do presidente Putin

10 Set 2018 / 02:18 H.

Centenas de pessoas foram ontem detidas na Rússia em manifestações contra uma impopular reforma das pensões, num dia em que decorrem também eleições locais e regionais.

A polícia deteve pelo menos 839 pessoas, principalmente em São Petersburgo, segunda cidade do país, e em Ekaterimburgo, nos Urais, segundo a organização OVD-Info, especializada em casos de detenções.

As manifestações que decorreram em todo o país, não tinham sido na maioria dos casos autorizadas pelas autoridades e surgiram em resposta a um apelo do principal opositor do Kremlin, Alexei Navalny, que cumpre uma pena de 30 dias de prisão por ações de protesto organizadas em Janeiro. Dezenas de seus apoiantes foram detidos pela polícia nos últimos dias.

Em Moscovo, cerca de 2.000 pessoas concentraram-se sob apertada vigilância policial na praça Pushkin, no centro da capital russa, gritando “Putin é um ladrão”, segundo jornalistas da AFP no local. Em São Petersburgo, cerca de mil pessoas manifestaram-se gritando “vergonha”.

Fotografias e vídeos divulgados por opositores mostram vários episódios de violência policial contra os manifestantes.

Há vários meses que as autoridades se confrontam com a impopularidade de um projeto do governo destinado a aumentar a idade da reforma, inalterada desde 1932, num país onde, apesar de alguns progressos, a esperança média de vida ainda não é muito elevada, sobretudo para os homens (66,5 anos, segundo dados de 2016 do Banco Mundial).

A alteração da idade da reforma foi anunciada em junho, mas, no final de agosto, o Presidente russo, Vladimir Putin, anunciou alterações ao polémico projeto, depois de uma descida acentuada da sua taxa de popularidade.

Putin anunciou que a idade de reforma das mulheres passará dos 55 anos para os 60, e não para os 63, como inicialmente previsto, mas não anunciou nenhuma alteração no caso dos homens, cuja idade de reforma, atualmente de 60 anos, passa na nova legislação para os 65.

O protesto ocorre num dia em que os russos são chamados às urnas para eleições de governadores e de vários representantes do poder local.

A eleição em Moscovo, que é a mais simbólica, deve levar à reeleição do atual presidente de câmara, Serguei Sobianine, na ausência de uma oposição real e com um forte apoio do Kremlin e do partido no poder, Rússia Unida.

Os resultados definitivos destas eleições são esperados nesta segunda-feira de manhã.

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