Canadá “seriamente preocupado” com expulsão de embaixador pela Arábia Saudita

06 Ago 2018 / 15:19 H.

O Canadá disse-se hoje “seriamente preocupado” com a expulsão do seu embaixador em Riade, anunciada pela Arábia Saudita como retaliação pelas repetidas críticas do Canadá à repressão de militantes dos direitos humanos.

“Estamos seriamente preocupados com essas informações da imprensa e estamos a tentar saber mais sobre a recente declaração do reino da Arábia Saudita”, afirmou uma porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros canadiano, Marie-Pier Baril, num comunicado.

“O Canadá defenderá sempre a proteção dos direitos humanos, nomeadamente os direitos das mulheres e a liberdade de expressão em todo o mundo”, acrescentou.

“O nosso Governo nunca hesitará em promover esses valores e acreditamos que esse diálogo é essencial na diplomacia internacional”.

A Arábia Saudita anunciou hoje que decidiu expulsar o embaixador do Canadá em Riade e chamar o seu embaixador em Otava devido ao que qualificou de ingerência canadiana nos seus assuntos internos.

As medidas decididas pelas autoridades sauditas incluem ainda o congelamento das relações comerciais com o Canadá.

O anúncio ocorre depois de um apelo da embaixada do Canadá para a libertação imediata de militantes dos direitos humanos detidos na Arábia Saudita.

O reino “não aceita de nenhum país uma ingerência nos seus assuntos internos ou exigências”, escreveu o Ministério dos Negócios Estrangeiros saudita no Twitter.

Na mensagem, o ministério precisa que o embaixador tem 24 horas para deixar o país.

No centro da disputa diplomática está o caso de Raif Badawi, um ‘blogger’ condenado a 1.000 chicotadas e a 10 anos de prisão na Arábia Saudita, cuja irmã, Samar, também ativista, foi detida na semana passada.

Badawi foi condenado em maio de 2014 por insultar o Islão ao criticar a poderosa elite religiosa saudita num blogue.

Em janeiro de 2015, foi chicoteado 50 vezes frente a uma multidão de centenas em Jeddah. As restantes chicotadas a que foi condenado foram suspensas, mas Badawi permanece detido.

O caso foi criticado pelas Nações Unidas, por vários países ocidentais e pela generalidade das organizações não-governamentais de defesa dos direitos humanos.

A mulher e os três filhos de Badawi mudaram-se para o Canadá e ela obteve este ano cidadania canadiana.

O caso Badawi esteve também no centro de um incidente semelhante entre a Arábia Saudita e a Suécia, em 2015, com Riade a chamar o seu embaixador em Estocolmo e a suspender a emissão de vistos de trabalho a cidadãos suecos.