Adolescente tenta matar bebé no centro de Moçambique para garantir novo namoro

13 Jan 2018 / 02:20 H.

Uma adolescente de 17 anos foi detida pela Polícia de Manica, centro de Moçambique, por ter tentado matar o seu bebé recém-nascido após o parto, para garantir uma nova relação, disse hoje à Lusa fonte policial.

A jovem, que já era mãe aos 13 anos -- tem uma filha de 3 anos -, estava grávida e na madrugada do passado dia 29 de dezembro induziu o próprio parto na sua residência, na zona de Cafumpe (Gondola), e depois embrulhou o recém-nascido em trapos e tentou introduzi-lo numa latrina tradicional, numa casa vizinha supostamente para garantir uma nova relação, explicou Elcidia Filipe, porta-voz da Polícia de Manica.

“Ela estava num casamento prematuro e polígamo, e engravidou supostamente de um terceiro homem, que não assumia a gravidez e a adolescente tentou se livrar do bebé, introduzindo-o numa latrina”, disse Elcidia Filipe, acrescentando que a adolescente responde num processo-crime por “tentativa de infanticídio”.

Após introduzir o bebé na latrina, prosseguiu Elcidia Filipe, a adolescente percorreu durante a noite quase 10 quilómetros à procura de serviços de saúde para assistência em Gondola, quando os choros da criança despertaram a atenção dos vizinhos, que trataram de destruir a latrina para resgate o recém-nascido.

“Quando a criança foi socorrida na manhã para o hospital, a mãe ainda estava sob assistência na maternidade”, explicou Elcidia Filipe, acrescentando que “quando a adolescente se apercebe que tinha chegado no hospital uma criança resgatada numa latrina, ela fugiu do hospital até que foi detida recentemente”.

Sem avançar dados estatísticos, Elcidia Filipe disse que os casos de infanticídio em adolescentes têm sido recorrentes nos últimos tempos na província de Manica, apesar da existência de legislação que permite, com pré-condições, o aborto em Moçambique.

Em 2017, pelo menos quatro casos de infanticídio, envolvendo adolescentes e mulheres adultas, foram reportados pela Polícia de Manica, a maioria com os bebés abandonados em lixeiras públicas.

Esses são os números oficiais reportados pela Polícia, mas a realidade sugere que situações similares sejam frequentes numa província assolada por casamentos prematuros e polígamos, que condiciona a vida das adolescentes, sujeitas a decisões de terceiros sobre o seu futuro.

“Temos estado a trabalhar na prevenção de infanticídios, nas nossas reuniões polícia-comunidade, apelando às comunidades a serem mais vigilantes e a reportarem com urgência os casos, o que permite a nossa intervenção célere. Temos conseguido salvar até 80% dos casos reportados”, precisou.

Neste ultimo caso fonte do hospital em Gondola disse que o recém-nascido está bem, apresentando progressivas melhorias no seu estado geral.

“Este bebé tem saúde estável, apesar de ter passado horas em contacto com químicos. A pele e a respiração estão saudáveis”, salientou à Lusa Eguinaldo João, diretor clínico do hospital distrital de Gondola, onde a criança recebe assistência.

Entretanto, devido à situação, não para de crescer a lista de candidatos para a adoção do recém-nascido.

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