Negócio rende milhões e rendimento extra a agricultores

Eucalipto para pasta de papel

11/02/2012 03:00
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  • FOTOS: Joana Sousa/ASPRESS
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A madeira que está a ser cortada no Lombo Galego é transaccionada por uma empresa que trabalha no mercado de compra e venda de eucaliptos que fornece à 'Portucel' (líder no mercado português do negócio da pasta de papel).

Apesar de não ter tradição na Região este é um mercado com potencial de crescimento por várias razões: Pelo grande número de eucaliptos que cá existem, pela qualidade do eucalipto, por ser uma planta não indígena que seca a terra e torna-a improdutiva e pela oferta ao nível de acessos viários.

Em 2010, segundo dados da Direcção Regional de Florestas (DRF), a exportação para o continente de eucaliptos da Região para a produção de celulose (pasta de papel e contraplacados de madeira) representou, no global, uma facturação anual de 2,5 milhões de euros.

Em 2010 foram 72 mil toneladas (aproximadamente 120 mil metros cúbicos) que renderam directamente aos proprietários florestais sensivelmente 850 mil euros. Contas feitas no embarque no Porto do Caniçal (custo da madeira +custo de operação de corte e rechega da madeira +custo de transporte) o negócio representa um valor que ultrapassa os 2,5 milhões de euros.

Há vários anos que a empresa que está, neste momento no Lombo Galego, compra eucaliptos na Região, para vender depois à 'Portucel'. A compra é sempre feita aos proprietários uma vez que, à luz da lei, as licenças para os cortes de árvores (emitidas pela Direcção Regional de Florestas) só podem ser passadas ao titular do terreno.

A empresa tem, na Região, todo o equipamento necessário: máquinas, camiões e contentorees. Paga impostos às Finanças, cria postos de trabalho, paga taxas portuárias, garante uma fonte de rendimento extra aos agricultores: 170 a 180 mil euros anos, garante Vitor Paulo.

A empresa já procedeu ao abate de eucaliptos em diversas zonas da Madeira (Achadas da Cruz, Campanário, São Jorge e noutros locais). As autoridades regionais, disse, deveriam facilitar e não dificultar a vida dos madeireiros. Caso contrário abalam para África.

Para Vitor Paulo, há muita inveja e maledicência por parte da concorrência no negócio das madeiras. Acresce que outras empresas até fazem cortes a eito sob as linhas de alta tensão da empresa 'Electricidade da Madeira' (50 metros para cada lado) e nem pagam aos proprietários privados.

O preço de compra dos eucaliptos depende essencialmente do tamanho, local e diâmetro de cada árvore, mas normalmente varia entre cinco a dez euros por tonelada -um eucalipto grande pode pesar duas toneladas.

Mas há também muita especulação. Diz-se que a fábrica paga 1200 euros por cada contentor de eucalipto de 20 pés/20 toneladas. Vitor Paulo faz as contas e diz que o negócio não deixa grande margem de lucro. A saber: 450 euros pelo transporte de mar, 200 para o agricultor, 200 para despesas de pessoal e máquinas, 150 pelo transporte rodoviário (camião), 120 para o transporte do porto de Lisboa até à fábrica.

Aparentemente, os proprietários de terrenos (quando não há abusos) agradecem. O corte do eucalipto agrada aos proprietários dos terrenos porque ganham dinheiro inesperado (ainda que reclamem ser pouco), os ambientalistas vêm uma das principais pragas florestais da Região (por ser infestante e propociar incêndios) ser debelada aos poucos.

O problema é que, apesar da lei obrigar a que, nos 4 anos seguintes, o proproetário do terreno onde foi feito o "corte raso", realizar os trabalhos que estiveram na orgime do corte (por exemplo plantar novas espécies se o argumento para o corte foi a 'mudança de cultura'), tal quase nunca acontece. A reconversão do espaço desbastado é uma miragem e, na prática, voltam a crescer os eucaliptos.

Os ambientalistas consideram que deveria ser obrigatorio replantar as zonas onde se cortam eucaliptos por pinheiros, castanheiros, nogueiras ou outras árvores endémicas da Madeira. Assim se travava a erosão do solo e se impedia que o eucalipto renascesse.

 

 

 

 

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Comentários

Este espaço é destinado à construçăo de ideias e à expressăo de opiniăo.
Pretende-se um fórum constructivo e de reflexăo, năo um cenário de ataques aos pensamentos contrários.

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A Direcção Regional de Florestas deve autorizar, E EM SIMULTÂNEO OBRIGAR A REFLORESTAR

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Uma floresta de eucaliptos destrói a floresta indígena madeirense. Se os turistas quiserem ver eucaliptos, vão à Austrália que os têm lá na natureza deles.
Quando a Madeira não tiver um floresta sua, completamente dizimada pelos saloios que se banham em dinheiro, vão perceber que o dinheiro não dá para comer.

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O eucalipto "puxa" água do subsolo até 20 mts se necessário para sua subexistência, é uma praga...Numa ilha onde a água é a sua melhor riqueza e que há certas épocas que ela tem menos caudal nas suas nascentes, temos de minorizar o consumo da mesma pelos eucaliptos. Plante-se no seu lugar outras para reflorestar as serras que não absorvam tanto o líquido precioso, que os nossos governantes, principalmente os presidentes das câmaras vêm sempre pedir para racionar e poupar a água em certas épocas do ano. Depois não é de admirar que justifiquem o aumentos do preço da mesma, por ela estar a se tornar escassa. Por isso deixem lá cortarem os eucaliptos que só servem para fazer chá das suas folhas ou então rebuçados para tosse, de resto para pasta de papel não temos cá fabricas dessas...

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