VIH faz 29 novos seropositivos todos os anos na Madeira

Os novos doentes com o vírus da SIDA são cada vez mais novos e cada vez mais velhos

30 Nov 2017 / 12:34 H.

Há 29 novos casos de infecção por VIH (Vírus da Imunodeficiência Humana) todos os anos na Madeira e 5 a 6 novos casos de SIDA (Síndrome da Imunodeficiência Adquirida) o estado mais avançado da infecção causada pelo VIH. Actualmente há cerca de 630 doentes diagnosticados na Região, revelou Filomena Frazão de Aguiar, presidente do Conselho de Administração e do Conselho Executivo da Fundação Portuguesa ‘A Comunidade Contra a SIDA’ (FPCCSIDA), mas há outros madeirenses que procuram tratamento e são acompanhados em outras partes do país. Nesta véspera do Dia Mundial de Luta Contra a SIDA, revelou que há cada vez mais novos e cada vez mais velhos vítimas da doença.

A prevenção continua a ser fundamental, uma vez que o tratamento evoluiu com medicamentos inovadores que melhoram a qualidade de vida dos infectados e leva que hoje a infecção seja considerada uma doença crónica. Os primeiros doentes tomavam entre 10 a 40 comprimidos por dia, hoje tomam um ou dois. Já na parte da prevenção, ainda há um longo caminho a percorrer. “Esquece-se muito da prevenção, daí termos novos casos de SIDA”, lamenta Filomena Frazão de Aguiar, em declarações à margem da abertura do Encontro Científico ‘O Portador de VIH/SIDA em Contexto Laboral’, que decorre hoje no Arquivo Regional e Biblioteca Pública da Madeira. “Temos duas faixas etárias muito complicadas: cada vez mais novos, cada vez mais idosos. Os nossos idosos com mais idade têm 85 anos neste momento, é complicado. Está a aumentar a passos largos a SIDA nos idosos e as pessoas esquecem-se disso”, alertou.

A maior parte dos idosos não sabe e poderá estar infectada. Na Véspera do Dia Mundial da SIDA, a presidente da FPCCSIDA apelou a todas as pessoas para que façam o teste do VIH e das hepatites pelo menos uma vez na vida.

“Aqui na Madeira são à volta de 630, portanto já é considerável, e fora aqueles, por exemplo, eu falo pela Fundação, só, que são pessoas que fizeram connosco o teste, outras que não, mas que sabem que estão infectadas, e que não querem ser tratadas aqui e que vão ser tratadas no continente”. O estigma continua a ser muito forte e a discriminação é real, daí também a necessidade de falar sobre o contexto laboral neste dia.

Filomena Frazão de Aguiar volta a recordar que há apenas três formas de contágio do vírus: a via sexual, a via sanguínea e a via da mãe para o filho. “Não há outra forma. Não é o contacto social, não é o facto de nós estarmos a trabalhar todos os dias com alguém que esteja infectado que se possa transmitir. E as pessoas podem fazer a sua vida à vontade”. “Se eu tenho um tumor, se tenho uma doença, é um coitadinho. Se tenho SIDA, é porque se portou mal. Isto está errado”.

As pessoas infectadas não a tem de o declarar no trabalho. Filomena Frazão de Aguiar aconselha mesmo a apenas a informar se sentir confortável em assumir que está infectado. Quanto às análises no âmbito da medicina do trabalho, a presidente da Fundação recorda que a pessoa só faz o teste do VIH se quiser e que o médico tem de manter o sigilo em relação aos resultados.

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