“Surpreendido ser um navio do anterior operador que fez esta rota”

Paulino Ascensão, coordenador regional do BE diz que o navio é um aspecto secundário num processo que considera feito para reforçar o monopólio do Grupo Sousa

17 Mai 2018 / 12:42 H.

A escolha do navio que fará a ligação Funchal Portimão é mais um aspecto que, para Paulino Ascensão, coordenador regional do Bloco de Esquerda (BE), só vem reforçar o “extraordinário” concurso “feito à medida” do monopólio, referindo-se ao Grupo Sousa.

“O navio é o mesmo que já operou, e teve sucesso essa ligação, mas isso acaba por ser um aspecto lateral. O que seria importante era que houvesse ligação o ano inteiro, que houvesse abertura para o navio transportar carga, porque isso é que garante a viabilidade, e que essa operação permitisse trazer mais concorrência nessa área do transporte de carga na Madeira que está entregue ao monopólio, mas com este concurso feito à medida’, o Governo Regional só veio reforçar o monopólio. Portanto, dentro deste contexto o navio ser o A ou ser o B é um dado perfeitamente secundário”, começou por reagir.

Questionado se considerava acessório a característica do navio, eis a resposta: “Obviamente que quanto maior o navio, mais estável e mais rápido, mais atractivo vai ser para os passageiros. Mas isso é um dado secundário atendendo ao enquadramento deste processo. Este navio esteve cá com outro operador, que foi escorraçado e agora volta o mesmo navio fretado por um operador local para fazer o mesmo trajecto. Isto é tudo muito estranho. É um processo feito à medida para reforçar o monopólio das ligações marítimas entre a Madeira e o Continente”, insistiu.

Está surpreendido com a escolha do navio? “Com este navio em particular, não. Mas surpreendido, em certa medida, ser um navio do anterior operador que fez esta rota, porque é extraordinário como é que esse operador não se interessou neste concurso para ficar com todos os proveitos inerentes, mas aceita entrar em parceria. Quais são os benefícios que recebe nesta parceria que não teria se concorresse sozinho para explorar a rota? Ou que obstáculos é que encontraria se explorasse a rota sozinho e nesta modalidade, em parceria com operador local já não existem. Que obstáculos são esses? Se calhar são os mesmos obstáculos que foram criados e que levaram que abandonasse a linha anteriormente. Também é extraordinário que depois de conhecido o vencedor deste concurso, que só teve um concorrente, o Governo Regional tenha decidido baixar as taxas portuárias que foram uma das queixas que o Armas anteriormente apresentava: o elevado valor de taxas. Creio que pagava cerca de um milhão de euros por ano de taxas portuárias aqui no Funchal. Antes foi um obstáculo, agora como o operador já é ‘amigo’, deixa de haver taxas”, denuncia.

De resto, porque “os preços parecem atractivos”, admitiu ser “provável que haja uma boa taxa de ocupação” nesta operação, a decorrer entre 2 de Julho e 20 de Setembro.

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