Sindicato dos Professores optou por levantar a greve às avaliações

13 Jun 2018 / 11:41 H.

Tal como já tinha acontecido ontem com o Sindicato Democrático, também o Sindicato dos Professores decidiu levantar a greve às avaliações que está em vigor desde ontem a partir das 0 horas de amanhã, depois de ouvir os associados. Dos 504 que responderam nas 24 horas em que esteve disponível a consulta promovida pelo SPM, 428 pronunciaram-se a favor do levantamento da greve, ou seja, 84,9% aceitam voltar à mesa de negociações, o que deve acontecer já no dia 25, data da próxima reunião entre o sindicato e a Secretaria Regional de Educação. A greve às avaliações mantém-se apenas no Conservatório – Escola Profissional das Artes da Madeira, que tem um pré-aviso de greve próprio, estando a decorrer também uma consulta aos professores no sentido de averiguar se concordam ou não com a suspensão.

Apesar de a proposta enviada ao Sindicato pela Secretaria Regional da Educação não identida à do SPM no que toca à recuperação do tempo de serviço, Francisco Oliveira acredita que é um ponto de partida para uma nova ronda de negociações com vista à aproximação ao que os professores pretendem, que é no máximo a recuperação em quatro anos e a partir já do dia 1 de Janeiro de 2019. Salvaguarda ainda que o levantamento da greve às avaliações não põe fim à luta dos professores, até porque há várias questões que continuam por resolver, recordou Francisco Oliveira. O presidente do sindicato vê o levantamento da greve como “uma benesse” dada à Secretaria no sentido de se aproximar daquela que é proposta dos professores. “O SPM sabe que não pode ser reparado tudo de uma vez, nós sempre dissemos que aceitávamos o faseamento, no entanto nós aceitamos esta proposta como uma forma de chegarmos àquela que achamos que será uma proposta aceitável.”

Francisco Oliveira recorda que a greve estava convocada não apenas pela recuperação do tempo de serviço, há outras lutas a mobilizar a classe docente na Madeira como a redução da componente lectiva no Pré-Escolar e 1.ª Ciclo, o ser facultativa a componente lectiva a partir dos 60 anos, a publicação dos resultados das avaliações realizadas aos professores entre 2013 e 2017, a oposição à nova divisão em duas zonas pedagógicas em à possibilidade de os professores completarem o horário em várias escolas, e a obrigatoriedade de os contratados cumprirem cinco contratos na Madeira para entrar nos quadros contra os três em vigor no continente e nos Açores.

Quanto ao Conservatório, confessa que não sabe ainda se vai ou não manter a greve. “Não sabemos se vamos levantar ou não a greve no Conservatório, estamos a discutir isso com os professores porque o problema dos colegas do Conservatório não é apenas este, há muitos outros problemas, para além da recuperação do tempo de serviço que é importante, há por exemplo a concretização efectiva da transição da contratação privada para a contratação pública. Formalmente a Secretaria diz que está encerrado, mas os professores continuam com grandes perdas em termos de tempo de serviço”.

A aposentação é a segunda luta mais importante, revelou ainda o inquérito feito aos sócios pelo SPM. 234 (47,1%) professores identificaram esta como a segunda, na lista de prioridades.

“Nós vamos continuar a luta, em termos da recuperação será na mesa de negociação que vamos tratar do assunto, em termos de outros problemas que aqui já foram apresentados, será através da luta que os professores vierem a decidir. Por exemplo, amanhã, temos uma iniciativa às 3h da tarde com os colegas do 1,º Ciclo e Pré-escolar a reivindicar as reduções da componente lectiva”, disse Francisco Oliveira.

“A secretaria não podendo fazer tudo de uma vez só, pode fazer claramente mais noutros aspectos que têm sido apresentados pelo Sindicato dos Professores da Madeira, de há vários meses e alguns de há vários anos”.

O sindicalista diz que a situação chegou a este ponto devido à falta de respostas da SER, que os professores pretendiam resolver o problema no 1.º período lectivo. “Nenhum educador, nenhum professor quis arrastar este problema, a luta, para o terceiro período, para a altura das avaliações”. Estiveram em greve e manifestação a 27 de Outubro e a 15 de Novembro. No dia 20 de Dezembro teriam outra, a 13 de Dezembro, o secretário regional de Educação assinou com o SPM um memorando. Passaram-se seis meses. A agenda resulta da secretaria Regional de educação, garantiu. “Foi a Secretaria Regional de Educação que estendeu a luta desde o 1.º Período até ao 3.º Período, quando o que estava prometido era que até Fevereiro, Março, tudo estaria resolvido e era isso que nós pretendíamos”.

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