Rádio pública na Madeira soma 50 anos de uma história que até inclui bombas

22 Out 2017 / 11:16 H.

A rádio pública celebra hoje 50 anos de presença na Madeira, durante os quais foi alvo da primeira bomba da FLAMA e percursora do primeiro canal de música para jovens, hoje Antena3.

Foi a 22 de outubro de 1967 que entrou em funcionamento o Emissor Regional da Madeira, da então Emissora Nacional (EN), no número 27 da rua dos Netos, no Funchal.

Em 1976 foi criada a Radiodifusão Portuguesa, com uma delegação na Madeira, que em 1996 adotou a atual designação de Antena1-Madeira e, em 2005, ficou como Rádio e Televisão de Portugal (RTP) da região.

Para o diretor da RTP/Madeira, Martim Santos, esta data está carregada de simbologia.

“Os 50 anos da rádio no arquipélago da Madeira reafirmam a atualidade da nossa missão, enquanto prestador de serviço público, permitem uma chamada de atenção para os tempos desafiantes que vivemos atualmente, neste setor, principalmente a nível tecnológico, mas também permitem fazer uso da notável capacidade de adaptação reconhecida à rádio para, de uma forma inovadora e ambiciosa, vencer este desafio”, declarou.

O responsável reconheceu também a “importância da rádio na história recente”, patente naquele que foi o primeiro ensaio para a hoje Antena3 quando, em 1989, se lançou na Madeira o canal de frequência modelada, Super FM, o primeiro canal vocacionado para a música e para os jovens.

Na região, o canal de FM da Antena3-Madeira existe desde 1996.

A história da rádio pública na Madeira passa também pelo período de transição da ditadura para a democracia e para a criação da Região Autónoma da Madeira, ao acompanhar a instabilidade política e social da altura, tendo sido, inclusive, alvo da luta independentista da Frente de Libertação do Arquipélago da Madeira (FLAMA) em dois momentos distintos.

O primeiro alvo de uma bomba da FLAMA foram precisamente as instalações da Emissora Nacional, no dia 09 de agosto de 1975, às 02:45: “200 gramas de dinamite causam poucos estragos”, recorda o documentário “Uma história da Autonomia”, da autoria do jornalista Paulo Santos, emitido pela RTP em 2016,

Depois deste primeiro ataque bombista da FLAMA, a rádio pública foi atacada uma segunda vez, a 22 de agosto de 1975. Desta feita a bomba foi colocada no centro emissor situado na freguesia do Monte, no Funchal, com estragos avultados e “com um impacto mediático maior”.

A operação foi levada a cabo pela FLAMA porque a “programação da rádio não agradava”.

A história não se fica por aqui, já que, a 07 de outubro do mesmo ano, um grupo de retornados das ex-províncias Ultramarinas liderado pelo capitão miliciano João Machado, com ligações ao movimento independentista, ocupou os estúdios.

Segundo o documentário, pela cidade circulava a notícia de que a FLAMA estava por detrás da ocupação e se preparava para declarar a independência da Madeira, algo que acabou por não acontecer.

O que estava “para ser uma intervenção transforma-se em ocupação”, com um resultado final de “avultados danos materiais e 70 feridos”.

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