Matrículas para o Ensino Secundário com muita afluência e horas de espera

17 Jul 2017 / 18:57 H.

Nem durante as aulas acontece, mas às 7h00 da manhã desta segunda-feira já havia uma fila de alunos que “dava a volta ao pavilhão pelo lado de fora” da Escola Secundária Francisco Franco, no Funchal. As matrículas para a entrada no secundário, 10º ano, aliadas à ansiedade de pais e de alunos que querem garantir lugar na escola, motivaram uma avalanche de pessoas - mesmo que as portas só abrissem daí a duas horas, a partir das 9h00.

António Pires, presidente do Conselho Executivo da Francisco Franco, acredita que o método de inscrição por ordem alfabética – sugerido este ano pela Secretaria Regional de Educação – até “seria vantajoso” para aquela escola, já que “há uma grande afluência de alunos, que seria diluída no tempo”.

O novo método pressupõe a inscrição dos alunos por ordem alfabética, distribuindo as matrículas por quatro dias, até 20 de Julho, e foi adoptado pela Escola Secundária Jaime Moniz. Mas, existindo hipótese de escolha, a direcção da Escola Francisco Franco optou por manter a tradição. A preocupação em manter o silêncio durante a 2ª fase dos exames nacionais, que começa na próxima quarta-feira, é a razão para espremer as inscrições para apenas dois dias – segunda e terça-feira: “Se fosse assim [por ordem alfabética], nos dias 19 e 20, teríamos muita gente a circular aqui, num período de exames em que não pode haver ruídos”, explica António Pires ao DIÁRIO.

Por isso, a Escola Industrial, como também é conhecida, disponibilizou mais computadores, “cerca de 40 a 50”, e preparou-se para receber um grande número de pessoas em apenas dois dias.

Matrículas para o Ensino Secundário com muita afluência e horas de espera

Só que pelas 11h30, apesar da fila já não chegar à zona exterior do estabelecimento, a confusão ainda permanecia: a fileira começava no primeiro piso da escola e trepava pelos três andares até chegar ao ginásio, onde estão a ser feitas as matrículas. Lá em cima, dezenas de computadores distribuídos por mesas que enchiam o espaço, mais outros tantos que serviam para imprimir documentos. Volta e meia, lá se ouvia algum assistente técnico com voz grossa, como que a impor ordem e chamar à atenção: “Cursos profissionais? Para o profissional?”, quando vagava algum computador destinado a essas inscrições, de forma a esvaziar a fila.

Matrículas para o Ensino Secundário com muita afluência e horas de espera

A espera foi longa, mesmo para quem não chegou às 7h00. Carlos Nóbrega, 15 anos, vinha do Estreito de Câmara de Lobos, pelas 8h30, acompanhado pelo pai, Filipe Nóbrega. Conseguiram abandonar o estabelecimento de ensino pelas 12h15: “Há muita desorganização”, avança o pai, visivelmente cansado e já atrasado para outros afazeres.

Na Francisco Franco, os alunos sentam-se nos computadores e fazem a própria inscrição e, apesar do apoio dos professores e funcionários, Filipe Nóbrega acredita que o processo podia ser menos moroso: “O site da escola devia disponibilizar os documentos para imprimirmos e só isso já apressava”. Mas a questão maior, para este pai, é mesmo quem está na fila: “Ninguém respeita, devia haver um sistema de senhas”. Diz o filho, Carlos: “Os de ciências e de artes passavam à frente”. A escola, por sua vez, disponibilizou 15 computadores para Ciências e Tecnologia e dez para Humanidades, de acordo com António Pires. Os restantes foram distribuídos pelas outras áreas de estudo.

Matrículas para o Ensino Secundário com muita afluência e horas de espera

Já na Escola Secundária Jaime Moniz, que acolheu o sistema de inscrições por ordem alfabética, o cenário era bem diferente. Esta segunda-feira, matricularam-se os alunos cujo nome começava por uma letra entre A e I. (De J a M, vão na terça-feira, e de N a Z, na quarta-feira. Na quinta-feira, inscrevem-se aqueles que não puderam nos dias previstos para o seu nome).

Só que apesar da Escola Secundária Jaime Moniz ter utilizado o tal método proposto pela Secretaria Regional de Educação, o tempo de espera também se sentiu, embora em menor escala.

Matrículas para o Ensino Secundário com muita afluência e horas de espera

Tatiana Caires acompanhou a irmã, Beatriz Silva, que vai ingressar no 10º ano. Chegaram às 9h30 e, quando conversaram com o DIÁRIO, pelas 11h15, ainda esperavam à porta de uma das salas. Na Jaime Moniz, “há duas salas para ciências e tecnologias”, diz Jorge Moreira, presidente do Conselho Exectivo da escola.

Tatiana Caires desfia o resto: “Para os científicos é nas salas 202 e 203. Para os profissionais, na 204. Depois ainda é preciso ir à 205 para confirmar a documentação e à 206 supostamente para pagar [15€]”. Quando falaram com o DIÁRIO, ainda esperavam para entrar na segunda sala e tinham, pelo menos, 12 estudantes à sua frente: “Só para entrar nesta sala, ainda vamos esperar mais uma hora para entrar”.

Matrículas para o Ensino Secundário com muita afluência e horas de espera

Annika e Bart Freitas vêm de Santa Cruz. Bart, que já está na faculdade, afirma que o novo método de inscrições é mais rápido.

Não foi o caso de Annika Freitas, 15 anos, que veio de Santa Cruz. Quer estudar na Jaime Moniz porque o irmão mais velho assim aconselhou: “Venho para Línguas e Humanidades e procuro novos amigos. Como o meu irmão disse que era uma escola boa, vim”. Bart Freitas, o irmão, já estuda Biologia na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, e como está de férias, quis acompanhar Annika no novo passo: “Comparando com a altura em que me matriculei aqui, o processo é muito mais rápido. Semelhante, mas mais rápido, parece-me”. Annika e Bart chegaram à escola pelas 10h00 e saíram às 11h30 com a inscrição feita.

“Acho que haverá coisa para acertar, mas parece-me que este método é melhor. No final do dia vamos avaliar”, disse Jorge Moreira ao DIÁRIO. Apesar das matrículas se estenderem até 20 de Julho, em simultâneo com a 2ª fase dos exames nacionais, o presidente do Conselho Executivo do Liceu Jaime Moniz afirma que está tudo pensado: “Esta escola é complicada porque estamos no processo de matrículas até quinta-feira, temos obras, e temos exames nacionais da segunda fase. É preciso distribuir: os exames são feitos lá em cima [último piso], as matrículas no primeiro andar, e as obras no outro lado. Não posso parar as obras, mas tenho de salvaguardar para que não resultem em nenhum prejuízo para os alunos que estão a fazer exames. Vamos conciliando”.

Para já, “com a divisão de matrículas está a correr bem. Muito movimento, mas menos confuso”, remata Jorge Moreira.

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