Madeirenses que são marca ‘lá fora’ juntaram-se

03 Nov 2017 / 21:05 H.

‘A excelência das marcas’ foi o encontro que a ACIF promoveu esta tarde na Casa da Luz, reunindo no seu auditório um conjunto de ‘iluminados’ madeirenses que se transcenderam ao longo da vida e servem de exemplo para as gerações futuras.

Nini Andrade Silva, Humberto Jesus, Zé Diogo e Pedro Assude foram os ilustres convidados de uma reunião que serviu como testemunho das suas experiências profissionais e de como alcançaram o sucesso internacional naquilo que consideram ser o que melhor sabem fazer.

Depois da intervenção de boas-vindas da presidente da ACIF, Cristina Pedra, o vice-presidente do Governo Regional, Pedro Calado, subiu ao palco para enquadrar o posicionamento da Região face ao mundo empresarial, mesmo que sejam um pequeno arquipélago e “com imensas desvantagens competitivas em relação às cidades continentais”.

“Hoje a Madeira é uma marca reconhecida internacionalmente e associada a um turismo de valor acrescentado, porque escolheu, inteligentemente, uma estratégia que a permitiu diferenciar-se da concorrência, por intermédio da singularidade dos seus recursos”, disse Pedro Calado, antes de se debruçar sobre a aposta no futuro e nas tecnologias.

“Desde o ano de 2004 até finais de Setembro de 2017, a Startup Madeira recebeu mais de 3500 pedidos de informação de pessoas individuais e de empresas - 250 ano -, sendo que cerca de 63% destes, eram respeitantes ao registo de marcas”, aferiu o vice-presidente do Executivo.

Por fim, Pedro Calado considerou ser fundamental uma “maior aproximação ao sector privado”, naquilo que diz ser o “novo paradigma de desenvolvimento para a nossa Região”.

Humberto Jardim brindou ‘a dobrar’

A ‘Henriques&Henriques’, empresa vinícola fundada em 1850, é um caso de sucesso mas que requereu muito trabalho. O actual gestor, Humberto Jardim, assumindo a ‘pole position’ da primeira intervenção do painel, começou por referir que “nos dias de hoje, se quisermos estar no mercado alargado temos de ter o que é fundamental: o conceito”, tal como “um cliente que vai ao restaurante e sabe o que está por detrás dele”.

A marca, segundo Humberto Jardim, tem a particularidade de conseguir satisfação em troca de dinheiro, havendo então dois factores preponderantes na hora do consumidor fazer a sua escolha: a recomendação ou a experiência.

De acordo com o líder desta marca que se internacionalizou devido à sua qualidade e ao “turismo que leva os produtos aos amigos”, houve uma nota para o paradigma actual da publicidade. “Antigamente os artigos dos jornalistas eram encomendados”, disse, o que agora, com o advento das novas tecnologias, todos podem “escrever e passar a informação a uma velocidade estrondosa”, facto que também exige à ‘Henriques&Henriques’ ir mais longe em processos de certificação.

“Fazer as coisas bem-feitas” é a regra pela qual rege os seus produtos, até porque “a marca é o factor do investimento”, mencionou Humberto Jardim, adiantando que “a marca quando é de excelência confere uma imagem do que a empresa produz e só o faz, porque esta olhou para a imagem, produto, ponto de distribuição e preço”, ou seja, “todos os pontos associados à gestão”.

Nini Andrade Silva disse que o Savoy Palace irá ficar “espectacular e lindíssimo”

A designer madeirense Nini Andrade Silva foi outra das intervenientes no seminário. Antes de iniciar a sua intervenção de pé, porque não consegue discursar sentada, Nini endereçou os parabéns a Pedro Calado, por ter sido recentemente empossado vice-presidente do Governo Regional.

Foi precisamente na Casa da Luz que começou a aventura criativa de Nini, fazendo uso das pedras de calhau e navegando pelo mar da sua imaginação, depois de Rui Sá, numa exposição de pintura sobre as ‘4 Estações’, chegou ao seu pé e disse que “qualquer pessoa poderia pintar aquilo”.

“Fiquei aborrecida e fui para casa a pensar naquilo”, disse Nini Andrade Silva, que depois começou a ‘matutar’ para criar uma coisa só sua, tendo posteriormente chegado à conclusão que sempre soube inconscientemente desde a sua infância: os garotos do calhau, que sempre quis ajudar.

“Desde criança era diferente e os meus pais diziam se souberes porque que estás a fazer isso deves fazê-lo, desde que tenhas uma explicação”, disse Nini Andrade Silva, que lamentou não poder agradar a todos. “Toda a minha vida tive pessoas a dizer que o meu trabalho era horrível”, disse, assegurando que “cada um tem o seu lugar”.

Depois, uma revelação: “O Savoy Palace vai ficar espectacular e lindíssimo”, rejubilou, explicando que o nome Nini Andrade Silva “começa a ser conhecido”. “O nosso sucesso começa quando os outros se cansam e é quando está toda a gente cansada que chegou a hora de darmos um passo em frente”, finalizou a madeirense, que é conhecida internacionalmente como ‘Ninimalista’.

Pedro Assude para ‘despertar’ o público

Pedro Assude, em representação da Delta Cafés, focou a sua apresentação em diapositivos dando o enfoque na reputação ligada à questão estratégica da excelência das marcas. Segundo o representante da marca, “é fundamental hoje em dia” conquistar a confiança dos consumidores, pois estamos inseridos numa “economia de reputação”, onde a questão primordial passa, segundo o própria, “falar da Delta”.

Em relação à transcendência de marcas madeirenses para outros patamares, Pedro Assude disse ser possível essa ideia, apontando o caminho. “Face aos mercados globais em que estamos enquadrados, e desde que haja uma correcta gestão das marcas e dos seus produtos, penso que conseguem se afirmar, desde que façam e olhem para os serviços como a inovação, diferenciação e liderança”, disse.

Face à cotação da marca em Portugal, país onde está sediada e factura à volta de 300 milhões anuais, a Delta apenas é superada na excelência pelo Google, obtendo um ‘score’ cifrado em 83,45% (A) na escolha do consumidor.

‘DDiarte’ tiraram o retrato

Os ‘DDiarte’, dois fotografos madeirenses que começaram há cerca de 15 anos neste mundo, estiveram em representação na Casa da Luz por Zé Diogo, um dos elementos da dupla que é complementada por Diamantino Jesus, que não esteve presente no painel.

Numa intervenção descontraída onde arrancou diversas gargalhadas ao público, Zé Diogo, na sua simplicidade, afirmou que quando começou nunca pensou chegar tão longe, explicando então como se começou a desenhar a aventura pela arte.

“Tudo começou quando um colega comprou um computador para a escola e ofereceram-lhe uma máquina de 3 Megapixels e um programa de Photoshop”, adiantou o madeirense, que tinha como ‘hobbie’ pintar, principalmente a questão figurativa, mais concretamente, “o nu muito perfeccionista”.

O fotógrafo chegou então à conclusão que podia “trocar os pincéis pelo rato” com o avanço da tecnologia e explicou que tudo o que os ‘DDiarte’ aprenderam deveu-se à vontade mútua em aprender. “Somos autodidactas e nunca tiramos nenhum curso”.

A fama chegou quando ganharam um concurso em França, local onde obtiveram o seu primeiro prémio. “Isso indicou que estava no caminho certo”, afirmou, sobre um trabalho que agora pertence à colecção Berardo.

Zé Diogo, o porta-voz, teve de deixar o trabalho para dormir à semelhança de Diamantino Jesus, decisão que já os levou a vencer três campeonatos do mundo e o prémio de fotógrafos europeus do ano. Num estilo fotográfico que “usa muito o corpo humano, não só porque é bonito ou feio, mas porque a mensagem é o que diferencia”, os ‘DDiarte’ têm como ideia nas suas criações “provocar alguma coisa” em quem está a ver.

Agora, “falam dos ‘DDiarte’ pelo mundo fora” e o caso destes madeirenses “já é de estudo em algumas universidades”, tendo os próprios algumas técnicas de trabalho no Photoshop “que são únicas”, não estivessem eles a trabalhar fotos com 9 anos, por exemplo.

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