Madeira-ITI e Arditi já têm sete projectos aprovados no âmbito do Horizonte 2020

Oorçamento total supera os 30 milhões de euros

13 Set 2017 / 08:15 H.

Os investigadores do M-ITI acabam de obter financiamento competitivo do Horizonte 2020 para um projecto que visa a promoção de Informação Cívica Crítica na Europa, útil em emergências como os recentes incêndios. Segundo apurou o DIÁRIO junto da instituição, o projecto é financiado pela Comissão Europeia, no âmbito do Programa-Quadro Comunitário de Investigação & Inovação Horizonte 2020. Terá início em 2018, por um período de três anos, com um financiamento total de dois milhões de euros.

No tota,l entre o M-ITI e a Arditi, já há sete projectos do Horizonte 2020 financiados directamente pela União Europeia. O orçamento total destes projectos supera os 30 milhões de euros, dos quais 3,8 milhões são executados no M-ITI e na Arditi.

Em relação à investigação em plataformas comunitárias low cost para comunicação - chamadas medias cívicos - importa referir que obteve um financiamento competitivo que se destina à possibilidade de implementação de uma rede de rádios de baixa potência na Irlanda, Roménia e Portugal, com particular ênfase nas zonas rurais destes países. Na Madeira e em Portugal continental, este tipo de inovação, uma vez enraizada nas comunidades, poderá representar uma alternativa imediata na melhoria das comunicações em caso de situações de emergência e catástrofes, como foram os últimos incêndios, em que se discute a adequação e funcionamento dos atuais meios de comunicação, infelizmente com consequências devastadoras.

“A rádio local é a voz da comunidade, uma importante linha de socorro em casos de emergência. Um pouco por todo mundo, este meio tem conseguido manter a sua relevância nestas situações, enquanto outros tipos de media falham, como foi o caso dos últimos incêndios em Portugal continental e do ano passado na Madeira”, afirma a Professora Simone Ashby do M-ITI.

O projecto advém da investigação anteriormente desenvolvida no M-ITI pelo ERA Chair e Professor Christopher Csíkszentmihályi. O primeiro passo será o incremento da participação dos cidadãos, a deliberação pública e o livre movimento de informação dentro e fora das comunidades que participam neste projeto. As soluções piloto utilizadas para o efeito, já testadas em outras quatro comunidades, serão aperfeiçoadas e preparadas para serem lançadas internacionalmente. Estas baseiam-se na utilização de rádio FM, por tratar-se de uma tecnologia pouco dispendiosa e muito conhecida, mas combinado com telefone, transmissão, podcasts, internet e outras tecnologias mais recentes.

Durante o projecto, investigadores do M-ITI reunidos com os membros do consórcio que inclui jornalistas, grupos comunitários e especialistas em tecnologia linguística irão estudar a forma como as comunidades interagem com estas tecnologias e são capazes de as utilizar em seu benefício, e a sua potencial expansão. Simultaneamente é necessário fazer um esforço de cooperação e influência das políticas europeias para apoiarem estas estruturas de propriedade local. Enquanto a Irlanda tem uma política de rádio muito aberta, Portugal encontra-se muito atrasado quando comparado a outros países europeus como a França e o Reino Unido, onde as rádios comunitárias proliferam.

O consórcio do projeto Grassroots Wavelengths é composto por três entidades da Madeira: o M-ITI, a Adenorma, Associação de Desenvolvimento da Costa Norte e o RootIO, empresa de desenvolvimento da tecnologia de rádio. A nível europeu juntam-se ainda duas organizações da Roménia, uma organização sem fins lucrativos e uma organização de jornalismo investigativo, da Irlanda também uma organização sem fins lucrativos das ilhas de Bere, uma empresa de sistemas tecnológicos de texto para fala (TTS) e uma Universidade, e finalmente da Bélgica a associação Europeia de rádios comunitárias, num total de nove parceiros. O Prof. Csíkszentmihályi sublinha que “o M-ITI demonstra uma vez mais ser uma instituição competitiva e de renome internacional, criando inovações únicas e obtendo financiamentos Europeus significativos, não só para a instituição mas também para os parceiros Madeirenses.”

O Madeira-ITI foi criado em 2010 pela Universidade da Madeira, Carnegie Mellon University (CMU) e Madeira Tecnopolo, e resulta do sucesso alcançado no programa dual do Mestrado em Interação Humano-Computador, no âmbito do Programa Carnegie Mellon Portugal, financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia. O grupo já gerou mais de dez milhões de euros em projetos de investigação em colaboração com a indústria, nomeadamente através da captação de investimento estrangeiro dos quais se destaca a primeira cátedra do espaço europeu de investigação (ERAChair). O sucesso do instituto decorre também de uma relação muito estreita com a Região e com as empresas locais, em particular no desenvolvimento de vários projetos, e potenciando criação de startups tecnológicas através do Business Ignition Lab (BIL)

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