Joana Martins faz ‘desafabo’ sobre divergências com a actual direcção do BE

Guida Vieira também marcou posição

19 Fev 2018 / 13:01 H.

Através de uma publicação na sua página pessoal do Facebook, a filha do líder histórico da UDP e do Bloco de Esquerda, Joana Martins, deixou ontem o seu desabafo sobre situação interna que se vive no partido em vésperas de eleições.

O ‘post’ diz o seguinte:

“Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades. Outrora apunhalando-se uns aos outros, agora unidos, em torno do poder. Outrora apelidando outros/as de velhos/as sem o serem, agora aliando-se a ainda mais velhos/as.

Outrora prejudicando, pela calada, pessoas apenas por serem da mesma família, agora utilizando o nome de quem já morreu para obter vantagens. A verdade é que, quem morreu foi posto na prateleira de forma cobarde. Falar de quem partiu, recorrendo à mentira, é feio e ignóbil. Só que (chatice!) há quem conheça toda a verdade, porque esteve sempre lá.

Outrora havia espaço para o debate, agora afasta-se quem pensa pela própria cabeça, só porque não é “yes man/woman”. Outrora valorizava-se o trabalho junto do povo, agora faz-se o mínimo dos mínimos, sem esquecer de “posar para a fotografia” sempre que for conveniente.

Outrora utilizar a tal família, as vivas e o morto, para conseguir “tachos” (já que sozinho manter o tacho não foi capaz, porque o povo assim não o quis), agora permitir que essas pessoas sejam enxovalhadas e maltratadas no seu meio, porque já não precisa delas.

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades. Do mal ficam as mágoas na lembrança, e do bem, se algum houve, as saudades. Já dizia Camões. Saudades do tempo em que as causas valiam mais do que as ambições e os egocentrismos, de que fazer a diferença na vida de uma pessoa já significava ganhar o dia. Saudades do tempo da luta pela liberdade, sem trapaça e falsidade, com coluna vertical e hombridade. Acordem, acordem, antes que seja tarde”.

Joana Martins não comenta candidatura de Roberto Almada

Esta manhã, em declarações ao DIÁRIO, Joana Martins esclarece que o seu comentário “prende-se com as divergências de fundo com a actual direcção, liderada por Roberto Almada”. Divergências estas que diz terem justificado a sua saída do BE e afastamento da vida política.

“Simplesmente, foi um acumular de coisas ao longo de muitos anos que me fizeram agora desabafar, e como pessoa que assisti a tudo e sempre acompanhei o meu pai, achei por bem repor a verdade de algumas coisas”, reforçou a ex-bloquista.

O ‘desabafo’ surge no mesmo dia em que Roberto Almada, actual líder do BE e um dos candidatos às próximas eleições internas do partido, realizou uma conferência de imprensa para apresentar a sua lista à Convenção Regional do BE, que terá lugar próximo dia 5 de Março.

Quando interpelada directamente sobre o assunto, Joana Martins responde o seguinte: “Não comento a candidatura porque já não sou aderente do BE há 8 meses, saí em Junho do ano passado”.

Entretanto, na sequência da apresentação da candidatura do Roberto Almada, Guida Vieira escreveu o seguinte no seu mural do Facebook:

“Há imagens que valem por mil palavras. Vi-as há pouco e só sei que não vou por aí. Gente que maltrata e não fala com quem não pensa como elas. Gente que não deixa falar os outros. Gente que fala nas costas. Gente vazia sem ideias e que deixa andar enquanto lhe dá jeito, etc., etc... Não fui feita para isto. Definitivamente não apoio esta gente. Ainda bem que terei hipótese de dizer NÃO a esta mescla morna e viscosa que até menores arregimenta para conseguir os seus fins. Mas tenho muita pena. As minhas ilusões foram enterradas no dia 11 de Junho de 2017 e hoje confirmaram-se”.

Ao DIÁRIO a histórica bloquista madeirense reafirmou categoricamente “eu não apoio essa candidatura”, sem tecer mais comentários.