Helicóptero de combate a incêndios na Madeira “requer cuidados especiais”

13 Jun 2018 / 18:34 H.

O alerta pertence a Paulo Melo, comandante responsável por pilotar o helicóptero de combate a incêndios, na Madeira, aeronave que foi hoje oficialmente apresentada na sede do Serviço Regional de Protecção Civil da Madeira. A campanha terá início na próxima sexta-feira, 15 de Junho, prolongando-se até 15 de Outubro.

“A Madeira tem a sua própria orografia e requer alguns cuidados especiais no combate a incêndios, vai daí que, por exemplo, o nosso operador vai mandar para cá as pessoas mais experientes e já com experiência em operações semelhantes, quer em relevo, quer em termo de operação. É preciso algum cuidado, como é óbvio”, explicou Paulo Melo, considerando que na Região “a operação de combate a incêndios é muito especial e requer muitos cuidados”, por se tratar de uma ilha “com características muito próprias em termos de relevo, ventos e meteorologia”.

No entanto, o piloto que estará ao serviço da Protecção Civil nos primeiros 15 dias da campanha, “devido às leis laborais e à carga horária destes pilotos, que vão ter de ser substituídos de tempos a tempos”, realçou que “tirando a parte do relevo, que é um pouco mais acidentada que no continente, as condições são muito semelhantes”.

O balde deste helicóptero terá capacidade para mil litros de água, sendo que os pilotos darão primazia à água doce no momento de escolher os pontos de carga, em detrimento da água salgada. “Vamos sempre dar preferência à água doce, como é óbvio, para não danificar a flora, e para além disso a aeronave. Creio que esse não será um dos pontos que haverá problema na ilha. Em todo o lado, seja aqui, seja noutro país qualquer, há sempre dificuldade nos pontos de água, que às vezes podem não ser o mais próximos possível”, avisou Paulo Melo, esclarecendo que essa questão de abastecimento será decidida no momento.

Helicóptero serve para o ataque inicial aos incêndios

José Dias, presidente do Serviço Regional de Protecção Civil da Madeira, disse que este “é mais um instrumento operacional que a Região tem para fazer face ao período crítico dos incêndios florestais, não só como um instrumento fulcral no ataque inicial com a sua respectiva equipa, mas também como coadjuvante das forças terrestres, porque como tem sido sempre afirmado, um helicóptero por si só não apaga incêndios”.

“Faz parte de um dispositivo regional para combate a incêndios florestais, sendo que a componente terrestre também é essencial para debelar o incidente. Sempre foi o meio operacional escolhido que foi englobado no concurso de meios aéreos nacional, exactamente para que a Região consiga ter um meio operacional ao mínimo custo possível de forma a ganharmos economia-escala e tal como tínhamos previsto e foi prometido ele está aqui na Madeira, se for necessário”, afirmou José Dias.

1 milhão e 200 mil euros para os quatro meses

Pedro Ramos, secretário regional da Saúde, também falou nesta apresentação do helicóptero, aproveitando a oportunidade para relembrar que o processo começou em 2016, depois de estudos e testes de viabilidade realizados nos céus da Madeira. “Esse estudo teve como conclusão que era de facto útil a vinda de um helicóptero para o ataque inicial e foi isso que nós concretizamos. É um dos compromissos assumidos pelo Governo Regional e está concretizado”, congratulou-se.

“É o primeiro ano que vamos ter um meio de combate aéreo e estamos satisfeitos com o procedimento de segurança se tiver de ser utilizado. A Madeira tem programas de grande utilidade, como o POCIF, que começou em 2015”, prosseguiu o governante, esperando que este meio “não seja preciso utilizar, mas se for preciso temos gente experiente aos comandos”.

Para esta operação de quatro meses, o Governo Regional gastará 1 milhão e 200 mil euros, contudo esta é uma verba que não é apenas destinada ao helicóptero. “Há uma percentagem para a formação e para aquilo que deve ser feito ao nível de identificação dos postos de água e que envolve também a Secretaria Regional do Ambiente e Recursos Naturais”.

O secretário avançou ainda que o orçamento do POCIF para 2018 são de 186 mil euros, frisando a importância deste programa para a Região e relembrando, uma vez mais, a sua actuação no ano transacto. “Tivemos quase 100 mil quilómetros percorridos pelas nossas equipas que fazem parte deste POCIF, envolvendo quase 5 mil profissionais e 1.600 equipas. Tudo isso tem custos, mas são custos que são investimentos para termos ganhos na protecção da nossa população, dos nossos bens e do nosso património”, concluiu.