Greve dos professores com menor impacto

Sindicato recorda que na luta está a questão da aposentação, as mudanças na proposta dos concursos e a vinculação, entre outras questões

13 Mar 2018 / 10:17 H.

Esta será uma greve com menor impacto do que as duas anteriores, acredita o Sindicado dos Professores da Madeira. Neste momento ainda não tem dados sobre a adesão, as primeiras informações estão a ser recolhidas nas escolas. Francisco Oliveira recorda que há outros motivos para além da progressão na carreira para levar os docentes a usar esta forma de luta hoje, em linha com outros locais do país.

“O que nós sabemos neste momento é que com certeza será uma greve com menos adesão do que as greves de Outubro e Novembro, porque estando resolvida a questão – resolvida não é o termo certo -, estando assumida por parte da Secretaria a recuperação integral do tempo de serviço dos períodos de congelamento, há muita gente que está mais satisfeita, acha que as outras questões não são tão importantes. No entanto, há outras pessoas que não”, referiu o dirigente. “É uma greve que faz sentido”, garante. Não podemos ignorar que para além da recuperação não está tudo bem.”

A questão da aposentação preocupa muitos professores, que já tiveram um regime específico e hoje reformam-se como os demais trabalhadores, aos 66 anos e quatro meses. “Nós sabemos a partir de certa idade pessoas que têm 30 e muitos, 40 anos de serviço estão cansadas, já não aguentam trabalhar nas condições que são exigidas nas escolas”.

Francisco Oliveira assume a divisão nesta greve, entre os que consideram a recuperação do tempo de serviço o motivo principal para o protesto e os outros, que continuam a encontrar motivos para a manifestação pública de descontentamento. Neste grupo estão 80% dos sócios que estiveram na Assembleia-Geral da passada quarta-feira do Sindicato dos Professores da Madeira e que votaram a favor da greve. Nesta votação, 5% votou contra e 15% abstiveram-se.

Entre as coisas que estão mal, destaca-se a proposta de concursos apresentada pela Secretaria de Educação e que vai mexer com a vida de muitos docentes. Há também a proposta de vagas nos 5.º e 7º escalões, assim como a proposta de reposicionamento na carreira que o secretário Jorge Carvalho apresentou, bem como a questão de clarificar o que é e não é componente lectiva, pois há umas actividades que não são consensuais.

Em particular, a proposta de concursos não agrada porque reduz as zonas pedagógicas, constituindo a ilha da Madeira uma única, sendo a segunda o Porto Santo, o que vai obrigar a que os professores tenham de estar disponíveis para andar por toda a ilha. “A questão importante aqui não é só a de um maior âmbito geográfico. Há propostas que vão obrigar a que os professores ao longo do ano andem de umas escolas para outras, porque está previsto nesta proposta que os professores possam completar o horário em várias escolas, coisa que não acontecia até agora”. Francisco Oliveira alerta para o facto de isto reflectir-se em mais gastos mensais e no mesmo salário.

A vinculação dos contratados é outro braço-de-ferro dos professores, com a Secretaria a manter a vinculação apenas ao fim de cinco anos de serviço completo no mesmo grupo disciplinar, quando no continente vai entrar em vigor este ano a vinculação ao fim de três e mesmo em grupos disciplinares diferentes. “Nós exigimos que isto aqui também tem de ser assim, não pode ser de outra forma”. O impacto desta medida vai para além das pessoas que deviam entrar nos quadros da Secretaria e que vão continuar como contratados, recorda o sindicalista. “Se há professores que vão completar o seu horário em várias escolas, os horários dos contratados vão reduzir drasticamente, nós achamos que os contratados vão ser quase completamente descartados, isto é mesmo o termo adequado”, alertou.