Conferência anual do Turismo “acima das expectativas” movimenta cerca de 800 participantes

12 Out 2018 / 19:59 H.

A Conferência Anual do Turismo (CAT) 2018, que decorreu hoje no Centro de Congressos da Madeira, no Funchal, superou as expectativas da organização, a Delegação Regional da Madeira da Ordem dos Economistas (OE), num dia em que não faltaram assuntos na ordem do dia, à volta do tema da ‘Rentabilidade’, com intervenções entusiásticas, ricas e até polémicas, como quando foi focada a questão da mobilidade entre a Madeira e o território continental.

“O painel revelou-se mais do que à altura daquilo que nós esperávamos, foi a junção de dez pessoas muito inteligentes, com muito conteúdo, acessíveis e abertas à discussão sem tabus”, referiu o presidente da Delegação da Madeira da OE, Paulo Pereira.

A delegação estima que durante o dia de hoje tenham passado pela CAT 2018 cerca de 800 pessoas, que puderam ouvir as diferentes intervenções e participar nos debates nos três painéis, com temas como Modelos de Financiamento, Infraestruturas e Transportes e Atividades Circundantes e os intervenientes António Trindade (CEO do PortoBay), José Theotónio (CEO do Grupo Pestana), Gonçalo Batalha (administrador e partner da ECS Capital), Martinho Fortunato (CEO da Marina de Lagos), Ricardo Ferreira (CEO do Lisbon Cruise Terminal), Chef Rui Paula (Chef e CEO do Grupo Rui Paula), Luís Correia da Silva (CEO do D. Pedro Golf) e Paulo Moura (CEO da Europcar Portugal). Paulo Pereira destacou ainda o papel de moderação dos três ex-presidentes da OE na Madeira, Carlos Pereira, Eduardo Jesus e André Barreto, que chamaram muito bem o auditório para o debate.

“Há oradores que não conheciam este evento e que ficaram muito surpreendidos com a dimensão da CAT, a qualidade do auditório e com a qualidade do acompanhamento mediático, o que é muito bom para a Madeira, para a OE e excelente para as empresas e economia em geral”, referiu.

Na abertura da conferência, Paulo Pereira foi crítico em relação à atuação dos governantes, pedindo que tivessem em conta que, “para o sucesso da sociedade e a sua prosperidade, é preciso rentabilizar as empresas” e “desburocratizar o sistema”. “É recorrente o excesso de burocracia e é impossível uma empresa tratar bem os seus clientes e também prestar um bom serviço quando tem de lidar com o excesso de regulamentação”, vincou, apontando que tal “afugenta investidores novos e estrangeiros”. “Além disso, temos em Portugal impostos altíssimos, ao nível dos modelos nórdicos que são sempre usados como referência, mas nesses países são muito mais amigos das empresas no que diz respeito à desburocratização”, salientou. “Em conclusão, os governos têm de gastar menos para poderem tirar menos do que as empresas e as famílias produzem”, rematou.

Frases do Dia:

Paulo Pereira, presidente da delegação regional da Madeira da Ordem dos Economistas

“Gostaríamos que os governantes tivessem em conta que, para o sucesso da sociedade e a sua prosperidade, é preciso rentabilizar as empresas, por isso o repto para que desburocratizem o sistema para as empresas”.

“A economia não é um jogo de soma nula, onde quando se retira de um lado se ganha do outro. A distribuição de riqueza não é o que está em causa. Ter empresas geridas para a rentabilidade é o maior caminho para atingir os resultados que satisfaçam a todos”.

Miguel Albuquerque, presidente do Governo Regional da Madeira

“É importante que deixem de brincar com a inteligência dos madeirenses e dos porto-santenses. Deixem de gozar com aqueles que apenas exigem mobilidade dentro do território nacional de forma acessível e razoável. Neste aspeto, como em outros, a luta continua”.

“O presidente do Conselho Executivo [da TAP] disse de uma forma taxativa que a Região Autónoma da Madeira, que é parte integrante do território nacional, é igual a qualquer outro destino regular da TAP, europeu ou internacional. Ou seja, o destino Madeira é, no contexto atual da companhia, do qual o Estado tem 50% do capital, apenas orientado para uma estratégia puramente comercial e centrada no lucro”.

Rui Constantino, Economista Chefe do Santander Totta

“As dinâmicas geradas na economia e, em particular, no turismo, resultaram num factor de crescimento de todo o sector, com Portugal a superar a quota de mercado que tinha no mundo em 2000 de uma forma transversal e não apenas no turismo”.

Gonçalo Batalha, ECS Capital

“O sector hoteleiro é um negócio de capital intensivo, quer no investimento inicial quer na manutenção da sua competitividade face à oferta, por isso é extremamente importante que a estrutura de capitais tenha um rácio equilibrado entre capitais investidos e gerados”.

António Trindade, PortoBay

“A procura turística evolui a um ritmo muito mais rápido do que a oferta”.

“Em matéria de alojamento local, na Madeira já existem 15 mil camas, surgidas sobretudo nos últimos 10 anos e que correspondem a 11 hotéis Savoy, por isso o tempo é uma forte determinante da rentabilidade”.

José Theotónio, Grupo Pestana

“Se não tivéssemos propriedade, a rentabilidade que teríamos não seria tão grande”.

“As pousadas deram dimensão nacional. Estas são difíceis de trabalhar tendo em conta que são unidade pequenas. Esta é uma marca fantástica e que tem grande notoriedade no turismo nacional”.

Ricardo Ferreira, Terminal de Cruzeiros de Lisboa

“O número de passageiros e a capacidade dos navios tem crescido de forma exponencial, mas as infraestruturas portuárias não têm acompanhado os requisitos da procura”.

“A expectativa do cliente é cada vez mais alta. Os portos podem ser olhados como um hotel sem janela”.

Laura Torres Peñate, Binter Canárias

“Temos crescido nos últimos anos por ter entrado em mercados onde não existem outra linhas, por isso Lisboa não entra nos nossos planos”.

Martim Fortunato, Marina de Lagos

“Os erros nesta fase são bem pagos (na fase de planeamento e projeto). Uma marina mal feita normalmente é irrecuperável”.

“Por cada 100 lugares são criados 44 postos e trabalho diretos e indiretos”.

Rui Leão Martinho, Bastonário da Ordem dos Economistas

“Só com criação de riqueza é que se consegue garantir o estado social”.

Luís Correia da Silva, CEO D. Pedro Golf

“Ninguém viaja do norte da Europa para jogar apenas num campo de golfe”.

Chef Rui Paula, CEO Grupo Rui Paula

“Tudo se pode conseguir agarrando a oportunidade e acreditando em Portugal, que tem uma marca muito forte. Temos de expandir a cidade, expandir o país. É isso que temos de fazer”.

“Um restaurante com estrela Michelin, em Portugal, nunca é o apetecível, nunca é um restaurante rentável”.

Paulo Moura, CEO Europcar

“Os sistemas de partilha são o futuro nos centros urbanos, por causa do congestionamento e outros aspectos, e são opções mais cómodas”.

“A esmagadora maioria das pessoas ainda não está disponível para pagar mais por um carro elétrico do que por um carro convencional”.

Paula Cabaço, secretária regional do Turismo e Cultura

“Mantemos e reforçamos o nosso reconhecimento internacional e, no próximo ano, a Madeira vai acolher a gala do World Travel Awards”. “Somos um destino que soube acompanhar as tendências”.

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