Cientistas medem pela primeira vez o metabolismo de algas calcárias da Madeira

20 Mar 2017 / 17:40 H.

Numa operação inédita na Madeira, cientistas do Laboratório de biologia, ecologia e conservação marinha da Madeira (MBe Lab), em colaboração com o Centro de Ciências do Mar do Algarve (CCMar) levaram a cabo uma campanha de mergulho científico com o objectivo de determinar as taxas de fotossíntese, respiração e calcificação de algas vermelhas calcárias no seu ambiente natural.

“As algas investigadas no âmbito desta campanha formam extensos bancos nos fundos da costa sul da ilha, apresentando uma forma esférica, com dimensões semelhantes a uma bola de golfe e uma estrutura calcária que lhes confere o aspecto de uma pedra rosada com uma superfície profundamente rugosa. São organismos muito importantes do ponto de vista ecológico pois servem de abrigo a muitas espécies marinhas, sendo que algumas delas se encontram apenas neste tipo de habitats. A sua importância é tal que estes bancos de algas são protegidos pela Directiva Habitats da UE”, refere o MBe Lab.

“Sendo organismos de crescimento lento (cerca de 1 mm/ano) e esqueleto calcificado, estas algas constituem importantes depósitos biogénicos de carbono inorgânico, contribuindo assim de forma significativa para o sequestro de carbono da atmosfera. Por outro lado, a sua estrutura calcária torna-as especialmente vulneráveis à acidificação oceânica, sendo por isso urgente determinar as taxas metabólicas actuais destas populações como forma de prever e antecipar os impactos decorrentes da tendência actual de acidificação dos oceanos”, adianta.

Com este trabalho, que se espera o primeiro de muitos, os cientistas pretendem determinar a importante função destas algas na saúde dos ecossistemas da região, obter dados sobre o bom estado ambiental dos mesmos e ainda avaliar a extensão destes habitats nas várias ilhas do arquipélago da Madeira.

Sobre o Maërl

Maërl é uma palavra de origem bretã, usada para designar um conjunto de algas vermelhas coralinas, semelhantes a pedras, que vivem soltas sobre o fundo. Estas algas, formam campos extensos, e são um habitat protegido por directivas europeias e que servem de abrigo a várias espécies importantes dos pontos de vista comercial e ecológico. São espécies com taxas de crescimento muito lentas (cerca de 1 mm/ano) e que podem viver dezenas ou centenas de anos. Na Região Autónoma da Madeira são um habitat mais abundante do que se julgava até recentemente e existem fósseis cuja idade foi calculada em 14 ou 15 milhões de anos.

Sobre o MBe Lab Laboratório de biologia, ecologia e conservação marinha da Madeira (MBe Lab)

O Laboratório de biologia, ecologia e conservação marinha da Madeira (MBe Lab) faz parte do Observatório Oceânico da Madeira e encontra-se sediado na Estação de Biologia Marinha da Madeira. Neste laboratório são desenvolvidos trabalhos de biologia e ecologia nos ambientes costeiros e do mar profundo da Madeira.

Sobre o Centro de Ciências do Mar do Algarve

O Centro de Ciências do Mar do Algarve (CCMar), sediado em Faro, é o maior centro português de investigação na área das ciências do Mar e dedica-se à investigação em várias áreas ligadas às ciências marinhas, nomeadamente nas alterações climáticas e acidificação oceânica.

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