Câmara do Funchal presente na exposição ‘As Ilhas do Ouro Branco’

Lisboa /
15 Nov 2017 / 00:02 H.

A exposição ‘As Ilhas do Ouro Branco. Encomenda Artística na Madeira (séculos XV - XVI)’ é inaugurada hoje no Museu Nacional de Arte Antiga (MNAA), em Lisboa, com a colaboração da Câmara Municipal do Funchal, que cedeu, para o efeito, diversas peças do Museu A Cidade do Açúcar (MACA) ao certame. O evento marca o arranque das comemorações dos 600 anos do Descobrimento da Madeira e do Porto Santo, às quais a autarquia se associa desde já, e estará patente ao público entre 16 de Novembro e 18 de Março de 2018.
O presidente da Câmara Municipal do Funchal, Paulo Cafôfo, estará esta tarde presente na inauguração oficial deste grande evento de carácter cultural e artístico, que reúne obras de arte cedidas por entidades públicas e privadas, e que contará, igualmente, com a presença do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa.

A Câmara Municipal do Funchal vinca, desta forma, o seu empenhamento nas Comemorações dos 600 anos do Descobrimento da Madeira e do Porto Santo, numa postura presente e proactiva que continuará a ser demonstrada nas actividades previstas para os próximos dois anos. O MACA cedeu, neste caso, oito peças da sua colecção a esta exposição que promete internacionalizar o património artístico da cidade e da Região nos próximos meses, em especial aquele que diz respeito ao ciclo do ouro branco, pelo que um Museu como o Cidade do Açúcar não poderia deixar de estar representado. Foram cedidos um pão de açúcar, uma forma de açúcar datada do fim do século XV, várias pratas dos séculos XVI e XVII (areeiro, tinteiro, campainha e salva com pé) e, ainda, duas medidas manuelinas em bronze cinzelado, datadas de 1499.

Acrescente-se, igualmente, que, neste âmbito, a Câmara Municipal do Funchal já designou a professora doutora Luísa Paolinelli, docente da Faculdade de Artes e Humanidades da Universidade da Madeira, e doutorada em Literatura Comparada, como a representante da autarquia para integrar o Conselho Consultivo da Estrutura de Missão para as Comemorações dos 600 anos do Descobrimento da Madeira e do Porto Santo. A decisão de Paulo Cafôfo já foi aprovada em Reunião de Câmara e comunicada à Secretaria Regional do Turismo e Cultura, cabendo agora à professora universitária a responsabilidade de representar a visão da capital da Região num marco tão importante como o 6º centenário do Descobrimento do Arquipélago, efeméride a assinalar em 2018 e 2019.

Recorde-se que o Museu A Cidade do Açúcar, tutelado pela Câmara Municipal do Funchal, reabriu ao público em Julho de 2016, encerrando o longo hiato imposto pelas inundações do temporal de 20 de Fevereiro de 2010, e a resposta de madeirenses e turistas tem sido um êxito, com números próximos dos 10 mil visitantes em cerca de ano e meio de funcionamento. A autarquia entende que esta é mais uma validação do reforço da oferta cultural do Funchal, que é uma imagem de marca do actual Executivo, sublinhando o significado de ter sido recuperado um museu absolutamente simbólico da cidade e da História da Madeira, porque é indispensável que uma cidade preze e valorize os seus núcleos museológicos.

O ciclo do ouro branco é indissociável da identidade da Região e, a caminho do ano e meio, a adesão dos locais, das escolas e dos turistas retrata isso mesmo. O novo Museu A Cidade do Açúcar evidencia-se pelo espaço remodelado, fruto de um projecto idealizado pela Câmara Municipal do Funchal, que apostou na recuperação e reorganização museológica, apresentando ao público uma sala de exposições com um novo design e um espólio de novidades arqueológicas. O principal núcleo da colecção do museu apresenta os achados arqueológicos das escavações efectuadas nas antigas casas do mercador João Esmeraldo, realizadas na Praça Colombo em 1989, no local dos imóveis demolidos em 1876. Destaca-se também neste espólio a colecção de escultura, ourivesaria e mobiliário, património que reflecte directamente o poderio económico derivado do ciclo do açúcar. A quantidade de peças expostas, nomeadamente fragmentos e ânforas, triplicou com a reabertura no ano passado, que incide, por sua vez, em duas novas colecções das Escavações Arqueológicas do Colégio dos Jesuítas e das Escavações Arqueológicas na Capela do Solar de D. Mécia.

Desde o início de 2017, o Museu promoveu, igualmente, uma série de seis workshops, conferências e seminários temáticos, sob o título “O Ciclo do Açúcar”, que vieram a assumir-se como o seu evento mais marcante do ano, pela qualidade de temas e palestrantes envolvidos. A principal missão deste conjunto de eventos foi dar a conhecer aos visitantes os principais testemunhos da produção e tecnologia açucareira que este museu preserva no seu acervo, daquele que é um dos períodos económicos mais significativos de toda a História da Madeira (séculos XV a XVII), tendo estas sido actividades pensadas para todos os públicos e permitido que o museu se continue a tornar mais interactivo entre a sua exposição e a comunidade. Nos próximos meses, o MACA continuará, assim, a multiplicar o seu papel além-mar, com esta importante contribuição para uma exposição regional em pleno Museu Nacional de Arte Antiga.