Bernardo Trindade critica Antonoaldo Neves mas defende a TAP

15 Set 2018 / 18:02 H.

O presidente não executivo da TAP, Bernardo Trindade, quebrou o silêncio relativamente às polémicas que envolvem a companhia e o Governo Regional da Madeira. Num comunicado publicado na sua conta pessoal de Facebook, Bernardo Trindade repartiu a sua opinião em quatro pontos, visando numa primeira instância as declarações do presidente da TAP, Antonoaldo Neves, quando classificou o preço das viagens para a Região como “módicos”.

“Classificar os preços da TAP para a Madeira como módicos, não só não é verdade, atendendo ao modelo de construção crescente dos preços e aos níveis elevadíssimos de taxa de ocupação dos aviões, como introduz uma polémica manifestamente desnecessária numa Região profundamente dependente das acessibilidades. E isto que aqui escrevo, manifestei ao próprio Antonoaldo Neves, no dia em que proferiu estas declarações ao Expresso”, referiu o madeirense, para nos três pontos seguintes defender a companhia, apontando soluções governamentais.

“Para as pessoas terem noção do tráfego para a Madeira na TAP, apenas 30 % são residentes. Dos restantes, há uma parte muito significativa que alimenta a actividade mais importante da Madeira - o turismo - sem a qual directa ou indirectamente “morreríamos” todos à fome... Os operadores que programam a Madeira como destino, as empresas que prestam serviço na Madeira, negoceiam em tempo e em quantidade com a TAP muito antecipadamente. Logo, o preço médio referido - 101 euros - tem em conta toda esta dinâmica, sendo inútil o “leilão” a que assistimos na Assembleia”, explicou Bernardo Trindade, considerando que o conceito de serviço público “está ultrapassado”.

“Desde que em 2008 a rota foi aberta a mais companhias aéreas que este conceito está ultrapassado. Actualmente a TAP disponibiliza 200.000 lugares por ano. Não sei quantos lugares disponibiliza a Easyjet. Não chega. Temos de ter mais companhias para fazer baixar os preços. Se a Ryanair é um caso de sucesso no Porto, no Algarve e nos Açores, porque não pode ser na Madeira?”, questiona o presidente não executivo da TAP, frisando que serviço público existe na ligação entre a Madeira e Porto Santo, “onde o Estado lança um concurso e contrata uma companhia aérea para prestar esse serviço, tendencialmente com prejuízo financeiro, mas obrigatório atendendo à obrigação constitucional da continuidade territorial”.

Por fim, Bernardo Trindade aponta a uma solução marítima e não augura um futuro menos ventoso no Aeroporto da Madeira - Cristiano Ronaldo. “No momento em que o ARMAS se prepara para deixar os mares da Madeira, reiterar o apelo para que se estude aprofundadamente este dossier: a alteração dos ventos no hemisfério norte é coisa séria. O aeroporto vai ficar mais vezes inoperacional. Aqui concordo em absoluto com o presidente da TAP: com segurança dos passageiros não se brinca, definidos os limites pela ANAC, quem impõe os condições de segurança à companhia é a companhia”, concluiu.

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