BE desafia Albuquerque a explicar negócio com o Grupo Pestana

17 Jun 2017 / 12:35 H.

O deputado do Bloco de Esquerda (BE) na Assembleia da República, Paulino Ascenção, lançou hoje um desafio ao presidente do Governo Regional, Miguel Albuquerque, para que explique publicamente os contornos do negócio da venda da Quinta do Arco, no Arco de São Jorge, ao Grupo Pestana.
Paulino Ascenção, que falava no decorrer de um acto público realizado junto ao Mercados dos Lavradores, considera que este negócio “levanta muitas reservas”, pelo facto de Miguel Albuquerque, enquanto presidente do Governo Regional, ter tomado “decisões que beneficiam directamente o Grupo Pestana”, apontando os exemplos “da renovação da concessão do Centro Internacional de Negócios da Madeira, do qual o Grupo Pestana, como maior accionista privado da sociedade exploradora, já auferiu de cerca de 50 milhões ao longo dos últimos 30 anos”, referente à concessão anterior, para além “das várias decisões que foram tomadas em volta do Hotel Pestana/CR7, que beneficiaram também o Grupo Pestana” e da “adjudicação das lavagens de material hospitalar à Serlima Wash, na qual o Grupo Pestana também tem interesse”.
Segundo o deputado do BE, “poder-se-á dizer que esta é uma questão do fora privado e a verdade é que Miguel Albuquerque tem direito à sua vida privada”, no entanto “não tem é o direito a misturar os seus negócios privados com os negócios públicos, com interesse público, da Região”. Paulino Ascenção diz que “é esta promiscuidade entre interesses privados e interesses públicos que não é aceitável, nem tolerável e que há que esclarecer”.
De resto, o deputado considera que “é do interesse do presidente do Governo, em nome da transparência e da confiança, vir esclarecer os contornos deste negócio, que tipo de avaliação é que houve, qual o valor da transacção, que outros interessados é que surgiram neste empreendimento, que propostas estiveram em cima da mesa”.
“Todos os esclarecimentos têm de ser prestados para afastar qualquer suspeita de que esta compra pelo Grupo Pestana seja um pagamento de favores pelas decisões que o Governo Regional tem tomado ao longo dos anos”, lembrando que “a marca da governação PSD ao longo destes 40 anos de Autonomia é favorecer os grandes empresários desta terra, que só se tornaram grandes empresários à conta dos negócios com a Região e com entidades públicas”.
O deputado aponta os exemplos “dos negócios das iluminações que beneficiaram a mesma empresa, dos privilégios de quem explora o porto, que cobra preços exorbitantes e encarece a vida do madeirenses”, ou seja “uma série de situações de um governo que favorece os senhorios, os antigos e os novos, e prejudica o povo”. E pediu às pessoas para que, nas eleições, “pensem em quem defende os interesses do povo e em quem defende os interesses dos exploradores do povo, dos novos senhorios desta Madeira Nova ou renovada”.

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