Autora das icónicas iluminações de Natal galardoada com Insígnia Autonómica de Valor

13 Jun 2018 / 17:50 H.

Maria Manuela Aranha da Conceição, nasceu na freguesia da Sé, concelho do Funchal, a 2 de Junho de 1931.

Concluiu, em 1951, o Curso de Habilitação às Belas Artes na Escola Industrial e Comercial do Funchal e licenciou-se em Escultura pela Escola Superior de Belas Artes do Porto.

Foi professora na Escola Industrial e Comercial do Funchal, actualmente Escola Secundária Francisco Franco, tendo leccionado, entre outras, as disciplinas de Educação Visual ao Ciclo Preparatório e Desenho de Figura, Desenho de Letra, Escultura, aos cursos de Belas Artes.

Em 1976, é nomeada para o cargo de Delegada Regional do Fundo de Apoio aos Organismos Juvenis (FAOJ) e, em 1980, com a regionalização, assumiu o cargo de Directora de Serviços da recém-criada Direcção de Serviços de Juventude.

Em 1984, é nomeada Directora Regional dos Assuntos Culturais, cargo que ocupou até 1996, data da sua aposentação. Foi a responsável directa pela criação do Museu Colombo, no Porto Santo e pela recuperação do Solar Cristóvão, em Machico. Foi, ainda, responsável pela recuperação da Casa das Mudas, na Calheta. Merece ainda referência o levantamento e trabalho de restauro dos Órgãos da Madeira, de que resultou a criação do Festival de Órgão da Madeira.

No plano da sua actividade artística, possui várias obras no campo da escultura e da medalhística. Destacam-se as estátuas “Paz e Liberdade” (Funchal, 1988) e “O Barqueiro” (Porto Santo, 2001), os bustos de D. Manuel Ferreira Cabral (Faial, 1991) e Horácio Bento de Gouveia (Ponta Delgada, 2007), Manuel Marques da Trindade, presidente da Câmara de Santana, de 1952 a 1964 e busto do pintor António Soares no Porto.

É a autora do monumento comemorativo da regata América 500 e da placa que assinala a passagem do Príncipe Alberto 1.º do Mónaco pela Madeira, figura de grande relevância para a Oceanografia. Na medalhística, foi autora de várias medalhas alusivas a diversas efemérides de natureza institucional e associativa, com destaque para a 1.ª Medalha da Autonomia da Madeira, (2000), 500 anos da Cidade do Funchal, Virgílio Teixeira (1984), Museu Photografia Vicentes (1982), John dos Passos (2004) e câmaras municipais de Câmara de Lobos e Santa Cruz. Na numismática, são da sua autoria, as moedas de 25 e 100 escudos, em prata, que homenageiam João Gonçalves Zarco (1981).

Numa outra faceta da sua carreira artística, foi autora, durante cerca de 20 anos, dos desenhos das iluminações de Natal da Cidade do Funchal. No domínio das ideias, fez nascer o Carnaval Trapalhão.

Foi, ainda, a criadora do Festival da Canção Infantil, sendo também da sua autoria o troféu Folhas de Prata.

É da sua iniciativa a realização, nos anos oitenta, do primeiro concerto na “Pedreira do Porto Santo” - Pico da Ana Ferreira, tenho acarinhado, desde sempre, a sua integração no Património de Valor Regional.

O seu percurso de vida pautou-se pela irreverência, tendo sido, no desporto, a primeira mulher a realizar a travessia de Lazareto – Pontinha a nado. Praticou, também, diversos desportos como patinagem, voleibol, ténis e ténis de mesa e actualmente é praticante activa de golfe. Foi a primeira jovem nos anos 40 e 50 a circular na Cidade do Funchal de bicicleta e foi a segunda mulher a andar de motociclo na Madeira, factos que, na época, foram motivo de assombro e, porventura, mesmo de “desagrado” da parte de alguns sectores da sociedade de então.

Foi homenageada, em 1996, pelo Governo Regional da Madeira.

Em 2014, foi agraciada pelo Presidente da República com o Grau de Comendadora da Ordem do Mérito.

Manuela Aranha está agora entre as 13 personalidades madeirenses que o Governo Regional vai homenagear no dia 1 de Julho, no âmbito das comemorações do Dia da Região Autónoma da Madeira e das Comunidades Madeirenses, que este ano decorrem na ‘Ilha Dourada.