ABAMA responde a Humberto Vasconcelos sobre o “esbanjamento de milhões”

A Associação de Produtores de Banana da Madeira diz estar “disponível para colaborar com a justiça”

27 Jul 2018 / 15:53 H.

A Associação de Produtores de Banana da Madeira (ABAMA) pronuncia-se hoje, através de comunicado, às declarações do Secretário Regional da Agricultura, Humberto Vasconcelos, na Festa da Banana, na Madalena do Mar, no passado fim de semana, de que “as cooperativas da banana desbarataram e esbanjaram milhões de euros dos contribuintes e da União Europeia”.

Uma acusação que não caiu bem no seio da Associação de Produtores que “apoia todas as medidas e eventuais denúncias de corrupção” e está “disponível” para colaborar com a justiça nesta matéria, tendo em conta que o seu único objectivo é “o aumento do rendimento ao produtor”, desejando, por isso, o fim dos “negócios estranhos”.

Valter Chaves acredita que as declarações de Humberto Vasconcelos advêm do “conhecimento de alguma situação menos própria”, mas relembra que o procedimento é “denunciar esses esbanjamentos de milhões de euros e má gestão das cooperativas no Ministério Público e na União Europeia”. Como responsável pelo sector “tem o dever de corrigir todas essas situações porque a ele recai o dever da gestão do bem público”, refere a ABAMA que “desconfia de favorecimentos a alguns escolhidos”, uma vez que “muitos dos colaboradores da GESBA são elementos e gestores das Cooperativas”.

Estranha as declarações do governante quando “na tomada de posse da Mesa da banana da Associação de Agricultores da Madeira, teceu elevados elogios aos dirigentes que só por acaso eram também dirigentes das cooperativas entretanto falidas”.

Valter Chaves salienta que a ABAMA “deseja tão somente defender os interesses dos produtores da banana da Madeira, aqueles que metem as mãos na terra, cortam os cachos de banana e defendem a qualidade do que se produz, valorizando o que é nosso, a marca banana Madeira, a nossa ilha, o nosso turismo através da paisagem, cuidando do nosso meio ambiente, e mantendo postos de trabalho”.

Não aceita que seja enviada para a Meia-Serra a banana que a região produz, deixando-a apodrecer em cima da terra, prejudicando o agricultor que não recebe dinheiro pelo seu trabalho e o consumidor final que fica impedido de conseguir um preço mais acessível. “Só quem não trabalha com suor, pode ficar indiferente a este desperdício”, diz, salientando a importância do público saber que “o valor pago ao produtor de banana por categoria é o mesmo há muitos anos (desde 2005) e que a ajuda comunitária subiu 756% de 0,059€ / Kg (em 2005) para 0,446€ / kg (em 2018)”.

“A ABAMA aconselha o Secretário a começar por investigar as avenças jurídicas contratualizadas com a GESBA já que é de dinheiro público que estamos a falar e a gestão do bem público é fundamental. Os montantes gastos exigem transparência e os agricultores deveriam ser informados onde estão a usar as verbas contratualizadas”, refere Valter Chaves que “gostaria que as autoridades judiciais tomassem em atenção as declarações proferidas pelo responsável do sector das bananas que “insinuou falhas graves e declarações demasiado sérias para serem ignoradas”.