2.º Festival Apanha da Cana nos dias 29 e 30 de Abril no Porto da Cruz

20 Abr 2017 / 15:54 H.

Com o objectivo de dar a conhecer o roteiro da cana-de-açúcar e divulgar o património cultural e arquitectónico da freguesia do Porto da Cruz, a Associação Grupo Cultural Flores de Maio leva a efeito, nos próximos dias 29 e 30 de Abril, o 2.º Festival Apanha da Cana, que decorrerá na Praça da Alagoa, no Centro Cívico e na Engenhos do Norte.

Este evento pretende associar o património imobiliário à vertente cultural, apresentando um conjunto de iniciativas no centro da vila, com diferentes intervenções artísticas e culturais.

Para além desta vertente, serão programadas caminhadas com turistas que poderão apreciar as belas paisagens desta freguesia, assim como assistir, in loco, à apanha da cana-de-açúcar.

Destaca-se, nas suas várias actividades constantes do programa, a sessão oficial do evento com a presença de entidades oficiais, no sábado, dia 29, pelas 16 horas. Pelas 18 horas realizar-se-á a 10.ª edição do Festival Infantil ‘Vozes em Flor’, no auditório do Centro Cívico do Porto da Cruz, evento que reúne vozes infantis representativas das diferentes escolas do 1.º ciclo do município de Machico e que se vem afirmando pela sua qualidade e envolvência de públicos. Entre as 20 e as 3 horas haverá animação no palco principal e no recinto destinado ao evento (Praça da Alagoa) e as tradicionais barracas de comes e bebes.

No domingo, dia 30, pelas 15h30, destaca-se a realização da 2.ª edição do Concurso de Ponchas, com o apoio da Associação Barmen da Madeira, que tem por objectivo homenagear a mais popular bebida madeirense através da criatividade de todos aqueles que queiram associar-se, através de uma inscrição prévia. Entre as 17 horas e a 1 hora haverá, igualmente, um programa de animação na Praça da Alagoa.

Enquadramento:

Falar da cana sacarina é relatar e problematizar a história da Ilha da Madeira ao longo de todos os séculos. Se este produto foi, de facto, o de maior impacto na época dos descobrimentos e da diáspora portuguesa, não deixou de o ser nos dias de hoje com mais-valias em todas as vertentes da sociedade.

As canas introduzidas na Madeira produziam açúcar da melhor qualidade e o seu impacto cultural e económico, a que se chamou Ciclo do Açúcar, tornou esta pequena ilha conhecida além-fronteiras, mormente no Norte da Europa, centro nevrálgico de toda uma comercialização a nível mundial.

A defesa e manutenção da qualidade do produto colhido no solo insular foi sempre uma constante nas deliberações régias, como por exemplo a proibição da plantação acima dos quatrocentos metros de altitude na costa sul e duzentos na costa norte.

Na costa nordeste, no vale entre Porto da Cruz e Faial, o produto tornou-se o principal nas lides agrícolas, daí a implantação de vários engenhos para a safra do açúcar, chegando mesmo a ser transportado via marítima de outros locais da ilha. No séc. XVI, entre os trinta e quatro engenhos existentes na Madeira, Gaspar Frutuoso (historiador, responsável por uma detalhada descrição histórica e geográfica dos arquipélagos dos Açores, Madeira e Canárias) refere três neste enclave.

No final do séc. XX, junto à zona marítima, existiam dois engenhos – o dos Caramujos e o do Sousa. Este último está presentemente transformado em museu, o Museu Engenho Velho, onde se encontra uma máquina de moer de origem americana, existindo no mundo apenas outra, também em museu, nos E.U.A.

O engenho dos Caramujos extinguiu-se no início do séc. XX, aquando da formação da Companhia dos Engenhos do Norte. É este engenho de características arquitectónicas únicas, um espólio muito rico, sendo o único no mundo ainda a laborar a vapor, recuperado recentemente, transformado num museu de entrada livre aberto a todos os visitantes e que recentemente obteve um galardão por parte do Governo Regional da Madeira, não deixando, no entanto, de laborar na época de Abril/Maio.

É para divulgar o património arquitectónico, industrial, agrícola, industrial e cultural que, com a presente programação, pretendemos homenagear os actuais agricultores e todos os demais que ao longo dos tempos souberam transformar a paisagem dos socalcos em terras de grande valor e, de um modo especial, os da freguesia do Porto da Cruz.

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