Vamos dar a volta a isto

12 Mar 2018 / 02:00 H.

    De súbito entendi o significado da existência de um Governo “clandestino”, na órbita do Senhor Vice-Presidente , que augura , sem dúvida , um assumir de candidatura à Presidência do Partido “laranja”, já que me é difícil integrá-lo numa qualquer corrente de pensamento político, desafiadora da do actual Presidente do Partido e do Governo. Isto revela, indubitavelmente, a falência dum projecto, que se apresentava como alternativa ao que então vigorava, nomeadamente, ao nível da cultura democrática e dum exercício do poder mais consentâneo com uma sociedade mais aberta e mais culta , tendo esbarrado de frente, exactamente com esse sofisma. Afinal onde é que estava essa, infelizmente inexistente por culpa do seus antecessores no poder que, tal como Salazar, queriam um povo submisso e ignorante.

    Século XXI adentro encontramo-nos assim, numa sociedade, quasi que pré- industrial, dominada pelos mitos de antanho e pelas facilidades do consumo , como telemóvel e o facebook na primeira linha da desconstrução do relacionamento , seja familiar ou outro , atendamos ao espectáculo patético nos bares , snack-bares e restaurantes onde antes as pessoas se relacionavam , socializavam e hoje , olhos e dedos no malfadado aparelho , nem sei como comem.

    E lá se esvaiu o sonho tendo que recorrer de novo , ao pessoal do cimento, que parece, os emparedou ,“ for good”. É verdade que, por fim, se vislumbra uma alternativa a este apodrecimento contínuo do quotidiano, que a todos nós interessa, mas contra o qual , poucos, muito poucos mesmo, remam.

    Há que acordar e clamar aos quatro ventos que a música já não é a do Teixeirinha, e que o sermos literatos e livres é o fundamento de uma Madeira desenvolvida, que tem que ultrapassar, rapidamente , a cultura do “ empregado multiusos”, que, tendo como referência a nossa maior indústria a do turismo, tanto é recepcionista, como barman ou faz as camas. Necessitamos, urgentemente, de qualificação que só o conhecimento e a especialização trazem.

    Vamos dar a volta a isto. Força.

    Jorge Martins

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