Se eu fosse deputado

13 Mar 2018 / 02:00 H.

    Em tempos idos, tinha um “colega” e amigo, o nosso querido e saudoso Fernando de Melim, que no “nosso” velhinho e desaparecido Diário da Madeira tinha uma coluna que se chamava assim:

    Se eu fosse deputado...

    Hoje, se ainda estivesse entre nós, provavelmente escreveria mais ou menos deste modo para todos vós.

    Se eu fosse deputado, certamente, no Parlamento, já me tinha fartado de olhar para as cadeiras do lado e vê-las ocupadas por gente sem fazer e dizer nada.

    Se eu fosse deputado, já me teria manifestado, com vigor e determinação, quando surgisse uma discussão sobre assuntos fúteis e banais, em detrimento de problemas sérios e reais, graves e desumanos, como as escandalosas discriminações sociais.

    Se eu fosse deputado, não ficaria calado, enquanto alguém não me explicasse se o desemprego para ser combatido, terá forçosamente de serem consentidos métodos piores dos usados no tempo do fascismo.

    Pessoal formado a ser pago a preços de “saldos” , com horários vergonhosamente desequilibrados, desempenhando funções a critério de chefes e patrões, num verdadeiro “mundo-cão” sem qualquer tipo de controle ou fiscalização.

    Se eu fosse deputado, já me teria interrogado, se não era tempo de questionar o Parlamento, de arranjar uma ocasião para uma profunda, séria e contundente discussão, sobre a JUSTIÇA que (quase) não temos sobre os grandes roubos, passando pelos hediondos crimes, terminando na corrupção.

    Se eu fosse deputado, (agora) no Parlamento Regional e especialmente na condição de independente, já teria agendado (seriamente) para confrontar os meus ilustres colegas no Parlamento,- dos partidos chegados ao Governo e aos da Oposição- uma série de temas de vital importância para o povo e para a nossa Região.

    - Violência domestica, praga em ascendência na Região.

    - Pobreza escondida, e a sua razão.

    - O trabalho, e a sua escandalosa exploração.

    - O respeito e defesa da paisagem e da natureza, a que todos dizem defender, mas poucos lhe deitam a mão.

    - Os” monopoliozinhos” que, de há anos a esta parte, lentamente e à sorrateira, se instalam na Madeira.

    - A saúde – especialmente o que se passa no hospital – o descrédito é total.

    E muitas outras questões seriam levantadas, no mínimo, para não dar azo a que o povo dissesse que levava o dinheiro para casa...sem levantar qualquer tipo de causas.

    Juvenal Pereira

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