Politização da Justiça

14 Out 2018 / 02:00 H.

    A politização da Justiça é algo que deve preocupar a todos. Temos assistido recentemente a trocas de cadeiras em lugares determinantes (e não só na Justiça). Tem sido um sucesso no que toca à colocação de políticos, ou “boys”, ao serviço do Partido Socialista nos sítios certos. Quando digo sítios certos, entendam como posições boas o suficiente para que dê para impedir que o fogo chamusque “os seus” em caso de SOS. Já Ferro Rodrigues tinha dito num caso que abalou o país (nem vale a pena dizer qual) que estava a lixar-se (a palavra certa é asneira) para o segredo de justiça. Não aconteceu nada a esse senhor e isso não impediu que hoje fosse a principal figura da casa da democracia em Portugal. José Sócrates teve uma sorte diferente, mas já repararam que até o juiz já trocaram? E foi por sorteio, que até deu erro inicialmente, isto para escolher entre 2 juízes para ver qual seria aquele que interessava ao sistema. É óbvio que o juiz que mandou deter José Sócrates, por ter feito tamanha desfeita à malta, perdeu o sorteio. Recentemente temos o caso do Monte, que em circunstâncias bem mais gravosas sofreu um tratamento completamente distinto do caso das palmeiras no Porto Santo. Na primeira situação o caso foi arquivado por Cafôfo ter delegado, não recaindo especial dever de cuidado. Isso bastou. No segundo caso o líder da autarquia é quem tem de assumir politicamente, mas acabou sendo mais que isso. Ninguém pede a prisão de ninguém ignorando a sua presunção de inocência, mas a dualidade de procedimentos é notória. A Justiça para além de cega terá de começar a ficar coxa para não ir para caminhos que não deva ir. E a nomeação de Carlos Pereira para a Entidade Reguladora de Energia? Pois. Eu disse que não era só na Justiça.

    Pedro Ortelá

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