O voo charter

08 Mar 2018 / 02:00 H.

    O voo charter é uma carinhosa ideia e ajuda que o Governo Regional da Madeira teve destinado aos estudantes madeirenses deslocados por todo o país. É um voo, sensivelmente mais barato, que nos permite, enquanto estudantes, permanecer as férias das datas festivas, Páscoa e Natal, com os nossos familiares e amigos, na nossa ilha.

    Segundo esta generosa oferta, os estudantes pagariam apenas uma taxa de 65€ (Valor do subsídio de Mobilidade de estudantes) ao invés dos valores astronómicos que as companhias aéreas nos cobram nesta época. Chega a altura em que ir a casa é mais caro do que pagar a propina da faculdade, o que se torna embaraçoso e ridículo, na minha opinião.

    Isto é tudo muito bonito, mas.... Nem todos os estudantes têm direito a este voo especial!

    Já no passado Natal houve um voo da mesma categoria, ao qual só avisaram os estudantes dias antes do mesmo. Logo, nem todos os estudantes tiveram, sequer, acesso à informação, eu inclusive.

    Agora voltaram a fazer o mesmo concurso, na altura da Páscoa, com voo destinado para dia 23 de Março. Desta vez, muito politicamente corretos, enviaram e-mail a avisar sensivelmente 1 mês antes, para que nos pudéssemos preparar e concorrer a esta generosa oferta. Era um e-mail muito emocionante, de preocupados com o nosso bem estar e felicidade, mas.... Venho por este meio demonstrar a minha infelicidade em não poder participar no voo indicado, pois os bilhetes esgotaram no próprio dia.

    No próprio dia, quer dizer...

    Algumas agências de viagens, nomeadamente Top Atlântico e Agência Abreu (na ilha da Madeira), já tinham os seus bilhetes destinados e, até em alguns casos, comprados para “clientes da casa” - como o definiram.

    Isto tudo, sensivelmente, 3/4 dias antes do dia 05 do presente mês.

    Agora, eu pergunto-me: “Como é que é possível, dias antes do dia 5 de Março, as agências já terem as poucas vagas que lhes são atribuídas destinadas?”

    Não seria apenas permitido candidatar-se às vagas no dia estipulado?

    As vagas não seriam atribuídas por ordem de chegada?

    Como é que dias antes as vagas já estavam destinadas?

    Há alguns estudantes pertencentes à Elite que tenham mais direito do que os outros?

    Esses lugares, no Voo Charter, pertencem mesmo a estudantes carenciados ou a “clientes da casa” de várias agências? - Pois quem tem dinheiro para ser cliente da casa em agências, não precisa de voos mais baratos.

    Mostro assim o meu descontentamento, e espero que seja feita justiça ou algo para prevenir estas ações novamente. Espero que abram inquéritos ou investigações relativamente a este assunto, pois estas ações sigilosas e de falsa fé não podem ser toleradas.

    Nunca é demais relembrar que não somos emigrantes, nem gostamos de estar longe das nossas famílias a estudar, mas fazemos com muito esforço, pois um dia queremos e esperamos vir a ser adultos formados e empregados.

    Um estudante que também quer e merece ir a casa.

    Isaías Viveiros

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