O Mágico

03 Jan 2018 / 02:00 H.

    O meu pai, que frequentou a dificuldade da vida, na universidade dos problemas que nela são programa duro, repetia-me com toda a sabedoria adquirida, quando eu tentava inovar: - “rapaz! não te ponhas a inventar, que ainda estragas tudo”. Acertava. Eu tinha a mania de desfazer tudo para saber mais do interior das coisas. Por dentro de Belém, também há por lá um inquilino, que anda sempre por fora a apagar fogos, e a dar consolos, que numa mensagem demagoga, com a flor e o pau na mão de dia primeiro do ano, apela ao sonho. Sabemos, que os sonhos fazem parte do mundo mágico e dos enganos. Deles surgem as desilusões, embora também seja, “por eles que a gente vai, persegue e alcança”. Eu não votei neste Presidente, e por isso estou à vontade para me exprimir sem medo de perder regalias que nunca tive, e sem o pavor dos estabelecidos nos média, e os devedores de vénias. Os correctinhos-políticos, furtam-se às análises inconvenientes, honestas, assumidas, e demitem-se da objectividade no tratamento dos temas sérios, que deles devia ser ofício sempre. O meu pai entrou cedo no superior da aprendizagem, quando com seis anos já andava com um saco enfiado num pau, a pedir de porta em porta e somar esmolas. Era analfabeto, mas muito culto. Dele herdei a facilidade de leitura do comportamento de pessoas. Agora, neste novo ano, ouvi o discurso do “popular” Marcelo, pós intervencionado a cirurgia simples, e verifiquei que teve alta sem perder o fulgor e a dinâmica que o caracteriza. Antevê-se assim, que o homem, regressa a todo o vapor, e refeito após o mergulho no Tejo e na cama do hospital, aonde foi muito apreciado. Talvez tenha prometido lá voltar, como é seu costume fazer por onde passa. Marcelo, porém não consegue fugir ao papel de fala-barato, e cai na demagogia. Extravasa as suas competências e invade espaço para o qual não foi eleito. É por defeito, demasiado fiscal e pouco realizador. Delega e sacode avisos. Faz de alarme e de polícia que anda por perto. Nesta mensagem a iniciar o ano 2018, vem exigir o impossível. Ninguém lhe diz cara a cara esta faceta. Por medo ou por bajulação, aplaudem-no, e todos parecem querer segurar os “tachinhos” ou melhorá-los. E o impossível exigido, é querer que no futuro nada mais falhe, como registou o ano findo, e pede, “reinvenção” de tudo e de mais, que no passado. Volto ao meu pai - “rapaz! não inventes que ainda estragas tudo. Corrige o que fizestes mal, elimina o veneno herdado, e constrói em segurança e rigor o que deve ser feito e esperam os que disso dependem”. Mas Marcelo, aspirante a Jano, deus com dupla cara, quer magia, a partir deste novo ano. Devia saber uma coisa, sem truques, que os governos são constituídos por homens. Uns bons, outros piores. E que o mundo depende das suas capacidades e acções. Umas favoráveis, outras prejudiciais. Não há milagres que operem distribuição só de bonança, e assente em justiça séria. Marcelo, que passou anos a fugir de responsabilidades governativas, enquanto se divertia como académico, político, jornalista e comentador nos média, se entendia que tinha na manga e nos bolsos, as soluções, para os graves problemas da nação e do seu povo, não devia ter adiado por tanto tempo a preparar meticulosamente, com arte e na manha do populismo a régua e esquadro, a sua chegada a Belém, investido no seu sonho desde sempre, e para o qual recebeu a bênção dos seus, de quem nunca se separou. Prejudicou a nação e fragilizou-nos ao ficar no banco de suplentes num jogo com duas partes, segundo ele. Marcelo, sabe de poções mágicas e milagrosas, de muito teatro, mas eu não vou nessa bebida e na sua conversa. Prefiro recordar as palavras do meu pai!

    Joaquim A. Moura

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