Não vejo moita de onde saia coelho

07 Out 2017 / 02:00 H.

    Durante a campanha eleitoral, tive oportunidade de percorrer, a pé, grande parte do concelho de Santana e o que vi é muito mau. Grande parte das casas de habitação estão abandonadas e a atividade agrícola é feita por pessoas cuja idade está acima dos 50 anos, tudo isto consequência da emigração que é a resultante da ausência de políticas na área económica, durante quatro décadas, as quais, se tivessem sido tomadas atempadamente, permitiriam à população retirar dos investimentos, os rendimentos suficientes à sua sustentação e bem-estar. A política eleitoralista de apoios sociais, seguida neste último mandato (que parece ser a única coisa que alguns autarcas sabem fazer), só por si, não alavanca a economia e, por conseguinte, não resolve o problema da redução da população que é provocado precisamente pelo atrofiamento do sistema económico. Por este andar, irá chegar o tempo em que as autarquias não terão dinheiro nem para as políticas sociais uma vez que as suas receitas dependem da economia executada pelos munícipes. O pagamento da dívida, desculpa para alguns autarcas não fazerem nada, não foi da iniciativa das autarquias mas antes uma imposição da troika cuja consecução não impedia, nem impede, a tomada de medidas na área económica e não implicavam, nem implicam, qualquer esforço financeiro por parte da autarquia. Se querem saber como, perguntem aos agentes económicos que sofrem na pele os estrangulamentos derivados da inoperância dos governantes, visto que as mesmas nos foram facultadas durante a campanha. Tivemos essa preocupação porque entendemos que governar é só identificar os problemas e tomar as medidas adequadas, propostas pelos governados, para a resolução dos mesmos. Estamos perante uma situação excepcional que, se não for rapidamente atalhada, irá conduzir à desertificação do concelho que já perdeu cerca de metade da população (42% até 2016) desde que o poder autárquico eleito é exercido (1977). Tão grave quanto a situação real é o presidente da autarquia reeleito ter afirmado num programa radiofónico, organizado pelo JM, na Quinta do Furão, antes das eleições, que “o fenómeno da desertificação já vem do tempo do Estado Novo”. Esta afirmação revela bem o seu grau de consciência quanto às suas funções de governante, assim como a confusão que faz entre o Estado Novo e o Estado de Direito, resultante do 25 de Abril o qual tem precisamente como um dos seus objetivos principais o progresso económico do país. Não é só pelo resultado das eleições que se mede o cumprimento do dever dos governantes mas, sobretudo, pela situação económica e social das populações porque maiorias absolutas até o major Valentim Loureiro e outros que tais conseguem, da forma que todos conhecemos.

    Se Deus quiser, cá estaremos, daqui a quatro anos, para ver a evolução económica e social do concelho mas, pelo que antes foi referido, não vejo moita de onde possa sair coelho.

    Manuel João Rosa

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