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02 Dez 2016 / 02:00 H.

    Agora que o “nosso” rei e a sua consorte, deixaram o quintal e regressaram aos seus palacetes, carregados de cravos e de papoilas colhidas por entre beijos e abraços e outras especiarias, vamos lá juntarmos-nos ao coro das coscuvilheiras e más-línguas, que não deixam passar nada. O nobre e simpático casal, viajou como e por onde quis, com uma felicidade estampada no rosto como nunca se houvera visto. Então a rainha! essa beleza fina e angular, senti eu o seu à vontade e ela por certo ainda mais. Despida de formalismos severos que lhe são impostos, a rainha andou por aí quase em roupão, com traje ligeiro e em segunda estreia, dizem as estilistas e modistas, assim como quem recebe o padeiro à porta na hora do pão fresco. Eu apenas reparei no seu perfil, na sua silhueta, e achei-a um tanto magra, mas elegante. Umas tripas à moda do Porto ou um feijão à transmontana, um cabrito à mnhota, dava-lhe um rosado e brilho, maior. Mas o casal de monarcas, dispensa menu tão pesado e causador de gases indelicados. O “nosso” rei, esse, devia ter-se sentido como em casa, ou como num anexo que lhe pertence em parte. Recebido com toda a pompa, por entre criancinhas, com ar ibérico mas não tão faminto, agitando bandeirinhas como se o tempo fosse de Mao, Brejenev, Tito ou semelhante António. Não vi diferença entre igual agitação por gente tão tenra e ensaiada para receber tão ínclita parelha. Não sei se devo criticar ou ficar só pelas semelhanças que tantos democratas condenam hoje se o cenário estiver montado na Venezuela ou na Coreia do Norte. Mas regressemos também ao Filipe VI. O jovem monarca, herdeiro do reino de Astúrias de Castela e Leão, no meio desta alegria contagiadora, desde o berço da nação, com passagem pela Invicta e mui nobre cidade do Porto, até à capital do reino portucalense, deve ter-se sentido mais rei e senhor deste torrão real, que também habla castelhano quando quer arranhar o ridículo. Creio que foi isso, que ele e os seus botões devem ter pensado - Rei! desde Guimarães, Olivença, e Algarve com todas as falésias que sobram, de todos os figos e o medronho. O Duarte Pio, duque de Bragança, também lá estava como última escolha, escondido por detrás do seu tímido bigode, a ensaiar descolar os lábios para tomar a palavra entalada no céu da boca, se for caso disso. O que não foi. Felipe e a sua bela rainha, vieram ver várias coisas magníficas que o país tem para dar a ver a quem chega a este cais. Mas Miró, o surrealista catalão Joan Miró, foi o pretexto, mais ainda o estreitamento das relações. Coisa boa! Voltemos à alegria espelhada nos seus rostos despreocupados, libertos de protocolos rígidos, a fortalecer os laços entre irmãos, entre família muito chegada. Letízia, abriu-se como flor ao sol e cristal à lua. Sorriu mais, acenou bastante, e caminhou que nem cinderela. Mas tinha sobre si os olhares das estilistas, e modistas dos trapos e farrapos preciosos. E logo escalpelizaram se o vestido fazia a sua estreia ou não. E o não, ganhou. A roupita da poupada rainha era o já usado noutro evento. Seria descuido ou simplesmente, a rainha pensou que para visita a este condado não seria preciso grande indumentária e maior rigor. Ela brilharia só por si. Assim aconteceu. O povo encantou-se e bateu palmas. Outros espreitaram pela janelas. As bandeirinhas continuavam ao vento e ao frio. A rainha mais tarde haveria de aparecer mais aconchegada, com roupita mais quente e informal. Fez bem. Uma gripe ibérica causa danos duradoiros, e ela é frágil. Veja-se o estado em que estão os dois países - sem cura à vista! Viva o rei. Gritaram alguns!

    Joaquim A. Moura

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