Israel do Atântico

15 Mai 2018 / 02:00 H.

    Lembro-me de ter sido dito há largos anos, por um governante que foi ubíquo na nomenclatura política madeirense, que seríamos a Singapura do Atlântico. Esta escolha não é inocente, nem é desprovida de senso. Muitos madeirenses seriam felizes em Singapura, o seu crescimento foi inacreditável e tudo parece indicar que o Tigre Asiático é um modelo a seguir. Lee Kuan Yew foi um líder engenhoso, que com punho de ferro, instalou no país uma das economias mais dinâmicas do mundo. A ideia seduzirá muitos conterrâneos, mas vejo isto como um dos nossos grandes vícios, as nossas atenções deveriam estar numa nação mediterrânea que Amos Oz descreve como aberta, tolerante e franca. Uma nação com uma tradição de sobrevivência e resiliência, os romanos destruíram-lhes os templos, já foram e eles ainda aqui estão. E o seu templo actual é um livro, uma tradição que funde uma cultura erudita com a imaginação fértil. Dizem que seríamos uma Singapura, oxalá que fosse uma Israel do Atlântico.

    José Dias

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