Dois anos para pedir um processo

14 Ago 2017 / 02:00 H.

    Em Novembro de 2015, regressei ao Funchal após alguns anos de ausência.

    Encontrava-me na altura em fase de convalescença de um enfarte cerebeloso esquerdo (AVC).

    Foi-me fornecida uma série de relatórios com a recomendação da minha médica de família, que deveria entregar a fim de médica de família que me fosse atribuída acompanhasse o meu processo e desse continuidade ao tratamento.

    Munido de toda a documentação dirigi-me ao Centro de Saúde do Bom Jesus, tendo sido informado que “isto aqui é diferente”, que o Centro pediria o processo ao centro de saúde de onde vinha.

    Na primeira consulta que tive com a minha médica de família tive o cuidado de levar cópias de todo o processo, para se inteirar do meu estado.

    Como hipocoagulado tenho necessidade de tomar um anti-coagulante e fazer análises para ver como está o estado do sangue.

    Há cuidados a ter com a alimentação.

    Numa das últimas análises, o sangue estava com tendências a engrossar e demonstrei a minha revolta, pois estava a cumprir todas as recomendações.

    Fui aconselhado por uma enfermeira a solicitar à minha médica de família uma alternativa ao anti-coagulante, que permitisse não estar constantemente preocupado com os cuidados alimentares.

    A enfermeira fez de “intermediária” junto da minha médica de família, foi-me requisitado um electrocardiograma, cujo resultado não demonstrava qualquer problema.

    Na quinta-feira recebi um telefonema da enfermeira do Centro de Saúde, solicitando um documento, onde a minha médica de família pudesse analisar as causas do meu problema. Fiquei surpreso, em princípio o Centro já deveria ter toda a informação.

    Comprometi-me entregar no dia seguinte cópias de todos os relatórios que tinha em meu poder.

    Fiquei com a pulga atrás da orelha, liguei para o centro onde estava afecto anteriormente, tendo-me confirmado que não tinham recebido qualquer pedido de envio de processo desde 2015.

    Dirigi-me novamente ao Centro de Saúde do Bom Jesus, tinha todo o direito de saber a razão porque não foi pedido o meu processo.

    Não fiquei esclarecido, a única coisa que fiquei esclarecido, é que na próxima semana iriam pedir o processo, avisando-me que iria demorar um pouco.

    Não percebi aquele aviso. Com conhecimento de causa, sei que o anterior centro onde estava afecto, demora a despachar os processos num espaço de dois a três dias.

    Se contarmos com os correios, num espaço de quinze dias, o processo estaria cá.

    Se as novas tecnologias fossem utilizadas, com e-mails, o processo já cá estaria e não demoraria quase dois anos.

    Chego à triste conclusão, que na terra onde nasci, tenho estado a ser acompanhado/tratado às escuras.

    Se não há processo, não há historial do paciente, estou a ser tratado baseando-se em quê?

    Para reflectir, eu... esperarei mais um bocadinho pelo processo. Quem já esperou quase dois anos...

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