Criticar em Machico não é fácil

20 Mar 2017 / 02:00 H.

    Temo-nos apercebido que o presidente da Câmara de Machico, ou quem, em seu nome, escreve neste diário, é pessoa de “maus fígados”. O que pelo menos transparece na sua hiperbolizada linguagem. Exalta-se e reage exageradamente mal sempre que é criticado publicamente. Aos vereadores da oposição, recentemente, só porque exerceram o seu dever e o papel para que foram eleitos, dirigiu-se com a ríspida linguagem de “aldrabões” e “trafulhas”. Agora é assim. Sempre que a Câmara responde à oposição, sai uma resposta azeda e exaltada. Já antes, aquando das críticas pela sua ida à Austrália, com o dinheiro do município, que ele diz estar falido, as coisas atingiram uma linguagem interessante e caracterizadora da personagem. Na sua resposta, Ricardo Franco não desmentiu ter ido à Austrália. Não desmentiu que foi com o dinheiro da Câmara. Não desmentiu que foi acompanhado pela mulher. Como também não desmentiu que esta foi recentemente promovida a tesoureira da Câmara. Então qual foi a razão da fúria de Ricardo Franco? A raiva e fúria verbal da sua resposta foi apenas contra o facto de ter sido criticado. Quando um partido ou um autarca eleito o critica sai uma resposta ofensiva. Quando um munícipe no seu direito de cidadão diz a verdade, o homem vai aos arames. E logo o munícipe é considerado pelo presidente da Câmara de Machico de “energúmeno” e “doentio leitor”. Então agora, cada vez que alguém se atrever a pôr em causa as ações deste presidente está a cometer um “ataque gratuito e rasca”, “um ataque vil e miserável”, “um ataque covarde e baixo”. Se alguém não concordar com ele está a ter “uma atitude infame”. É inédito e sintomático este tipo de linguagem. Afinal, criticar parece ser um direito exclusivo dos socialistas de Machico quando estão na oposição. E o que eles inventavam para dizer! Mas quando estão no poder consideram-se inimputáveis e inatingíveis. Agora fica uma dupla certeza. Esta atitude discursiva acentuou-se recentemente. Pelo que os rumores de que a Câmara de Machico incluiu na questionável contratação de um gabinete de advogados uma simulada avença para assessoria na comunicação fazem sentido. A estratégia está visível e a sortir efeito, embora negativo. A linguagem endureceu e azedou. E daqui até às eleições de Outubro, com o natural nervosismo, com este azedume, com estes maus fígados, o melhor é usar capacete. Sobretudo se tiver intenção de ir à Câmara criticar ou reclamar por alguma coisa.

    Alberto Menezes