Cobardia escondida num sorriso

14 Jan 2018 / 02:00 H.

    O meu pai costumava dizer que desconfiava dos que lhe sorriam muito. O mais certo, dizia-me, era, por trás, estarem-lhe a preparar alguma. Já por algumas vezes pude assistir à veracidade do conselho paternal, mas nunca como agora, quando me deparo com o sorriso constante de Paulo Cafôfo.

    Foi nas eleições, é em todos os lugares e situações em que desempenha publicamente a sua liderança autárquica.

    Sorrir, sorrir, sorrir. Não sei como o consegue fazer, como é que não perdeu o sorriso no dia 15 de agosto de 2018. Como é que consegue sorrir quando sabe que morreram pessoas nesse dia, devido à incúria, conforme testemunham os relatórios do Ministério público (a árvore estava doente há três anos, senhor presidente!)

    Ou melhor, até sei porque está a sorrir: está a pensar nos funchalenses, nos que foram enganados pela sua faceta pseudamente simpática, mas interiormente sinistra.

    Sinistra, sim! Porque quem falseia a verdade, quem se esconde atrás dos outros, revelando uma cobardia atroz, quem atira culpas para os outros, não é pessoa de bom caráter. E, como tal, não pode ser presidente de autarquia alguma. E muito menos de um Governo Regional.

    Marco Sousa

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