As esplanadas de Machico

21 Abr 2017 / 02:00 H.

    Todos reconhecem e falam da qualidade urbanística da cidade de Machico. Foi um trabalho bem feito. Sobretudo no centro da cidade e freguesias. Criou-se novos espaços pedonais que permitem, entre outros, a colocação de esplanadas em frente aos cafés e restaurantes, dando à cidade uma outra atratividade. Um contributo importante para um local que se pretende de agradável atração turística. Os governantes criaram imensos espaços públicos e os empresários, cada vez mais, querem aproveitá-los para rentabilizar a sua atividade de restauração. Tudo certo. Tudo a bem do comércio, do turismo e da economia local. Assim, resolve-se também as dificuldades criadas pela apertada lei do tabaco. Assim, aproveita-se melhor o espaço renovado e gracioso.

    Mas, o que se lamenta é a absoluta falta de regras na utilização destas áreas públicas. No concelho de Machico é um vale tudo. Sempre foi difícil disciplinar esta área, mas a atual Câmara não tem mão nos comerciantes. Cada um faz conforme lhe dá na cabeça, conforme a sua cultura urbanística, pensando apenas no seu interesse e no das empresas publicitadas. É gritante a cada vez maior falta de qualidade de grande parte do mobiliário destas esplanadas. Salvo poucas exceções, predomina a cadeira e a mesa de plástico, com ostensivas publicidades de bebidas, com chapéus e coberturas, numa multiplicidade de cores sem qualquer harmonia. Tudo sem a qualidade exigida para o centro de uma zona turística. Tudo à revelia dos regulamentos municipais em vigor. Tudo numa atitude de absoluta negligência e inércia dos serviços camarários. Tudo ao contrário da tão apregoada procura pela melhoria das condições para os visitantes. Nem os equipamentos municipais escapam a esta bandalheira. Já era assim, em parte, no Mercado Velho, agora fechado por tempo indeterminado, e é assim, imagine-se, na explanada do Solar do Ribeirinho, o ex-libris do património cultural do concelho. A atual vereação nada faz neste importante capítulo de valorização da cidade. Nada se aprendeu nas viagens. Nada se observou nas idas aqui ou ali. Nada impele estes socialistas a pugnar por melhor qualidade urbanística (um chavão esquerdista quando estão na oposição). Ou pior. Será receio de impopularidade? Será medo de confrontar o comerciante/munícipe/eleitor? Talvez. Mas assim quem perde é Machico. O Machico moderno que quer abandonar evidentes vestígios de atraso e estagnação. É pena.

    Emanuel Gomes

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