Altas Problemáticas (final)

13 Fev 2018 / 02:00 H.

    Atentas as suas atribuições, o SESARAM não se pode descartar da responsabilidade que tem em relação à maior parte das “altas problemáticas”, nem acerca da recorrente acumulação de doentes no Serviço de Urgência do HCF.

    Grande parte destes doentes encontram-se frágeis e são portadores de múltiplos e severos problemas de saúde, ou estão em risco de os desenvolver ou agravar. Devem, por isso, ser acompanhados por profissionais experientes e receberem cuidados de saúde apropriados à sua condição.

    Os cuidadores informais, quando existam, devem receber a formação e o treino de competências requerido para este nobre e difícil papel. E, em caso de dúvida ou dificuldade, devem ter sempre a quem facilmente acorrer!

    O que não se compadece com a falta de enfermeiros e de alguns outros profissionais em praticamente todos os contextos de cuidados, com intermináveis burocracias, nem com altas médicas extemporâneas, pouco criteriosas ou desarticuladas das do enfermeiro e serviço social.

    Mas como se tal não bastasse, continua-se a configurar os Serviços e os Centros de Saúde para funcionarem cada vez mais subjugados aos interesses de alguns. Subestimam-se os cuidados de enfermagem, confundem-se cuidados de saúde com apenas cuidados médicos ou sociais, não se adequam os recursos às necessidades, mantêm-se os vícios de há muito e tenta-se “empurrar” para as famílias - as mais vulneráveis - muito daquilo que os serviços de saúde e sociais deveriam assegurar.

    É certo que existem familiares, de todos os estratos económicos e sociais, que muito beneficiam em manter o seu parente internado no hospital, recebendo a sua reforma, usufruindo dos seus bens e que, por isso, pouco ou nada querem por ele fazer.

    Todavia, não devemos tomar a parte pelo todo. Bem sabemos que a actual legislação nem é justa nem adequada, além de indutora de tais situações. Mas o que mais nos preocupa é a tremenda iliteracia dos nossos responsáveis e, pior do que isso, a ausência de vontade dos partidos a querer mudar a situação.

    Enfim, uma realidade de há muito que, pelos vistos, está aí para durar!

    EHJ