A Cegueira da Ponte Nova e a morte das acessibilidades

16 Abr 2018 / 02:00 H.

    No seguimento da carta publicada em 08.04.2018 (rua 31 de Janeiro e 5 de outubro para quando?), subscrevo inteiramente o que disse, mas no meu entender a circulação rodoviária da Ponte Nova é muito importante e enquadra-se, igualmente, na Segurança de Proteção Civil que o sr.º FA referiu.

    Como já deve ter constatado, a entrada para a rua dos Netos faz-se com muita dificuldade. Se uma carinha de 12 lugares (com pouco mais de 4 metros) tem de subir o passeio para entrar, imagine os Veículos de Combate a Incêndios (que têm no mínimo 6 metros). Isto para não falar dos Camiões ou da autoescada (que tem mais de 10m).

    Lembra-se dos incêndios que consumiram parte considerável de alguns edifícios emblemáticos, algures nas ruas de São Pedro, do Surdo, dos Netos, (etc.)? Se pensar na acessibilidade dos Meios de Socorro a estes edifícios, vê logo a importância da Ponte Nova do ponto de vista rodoviário. A única forma destes veículos chegarem a estas ruas é atravessando a Ponte. Além deste condicionalismo da rua dos Netos, acresce que as ruas: da Calçada de Santa Clara, de São Pedro, da Mouraria, das Pretas e do Surdo são estreitas, os seus raios de curva são extremamente apertados e o trânsito faz-se apenas num sentido.

    Questiono-me, como é que os Veículos de Combate a Incêndios chegaram a esses edifícios? Quanto tempo demoraram a achegar? Será que tiveram que fazer marcha atrás? A partir de onde? Em que rua? (...) Certo é que, se a Ponte Nova estivesse aberta ao trânsito estas questões não se punham. Depois de tanto tempo, a situação contínua exatamente a mesma, não se melhorou nada, parece que a CMF insiste em não querer aprender com o passado e continua a ver a banda a passar.

    Já agora, por empatia, aproveito também para fazer uma apreciação do ponto de vista histórico: se a Ponte Nova é tão simbólica e digna de ser considerada património, o que pensar destes edifícios e das histórias que cada “um” deles tinha para contar? Quem terá mais motivos para ser considerado património? Ela (Ponte) ou eles (edifícios)?

    Por fim, o sr. º FA refere, e bem, a falta de uma visão mais enérgica projetada para a segurança das populações. Esqueceu-se que os tempos mudaram e que os atores são outros, agora o que interessa é arranjar “palco” para emanar meia dúzia de palavras promissoras e tirar algumas fotografias com sorrisos de orelha a orelha. OS VERDADEIROS PROBLEMAS DA CIDADE PODEM ESPERAR.

    L.A.

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