600 anos depois

02 Jan 2018 / 02:00 H.

    Porque a história não começou hoje, nem se encerrará com a nossa partida.Virão outros que tal como os nossos antepassados fizeram aquilo que ao longo de seis séculos encontramos no meio de nós e que nos orgulhamos de designar pura e simplesmente como a nossa terra. Mas já passaram 600 anos onde a aventura, a tenacidade, a sagacidade, a vontade de ver mais além, fez com que hoje possamos dizer orgulhosamente que somos filhos de uma das regiões mais belas do planeta. Plantada ao largo do oceano Atlântico com características ímpares, o arquipélago da Madeira deixou-se apaixonar ao longo destes seis séculos por imensas culturas, vários povos que foram a pouco e pouco descobrindo um espaço de terra minúsculo, mas que tão perto da grande Europa, que serviria de berço e de paraíso a muitos dos que foram abordando ao longo deste tempo. Para aqui chegarem, os primeiros seres tiveram que utilizar o meio de transporte moderno para a altura e que era um privilégio dos heróicos navegadores portugueses que à época na vanguarda desse meio de transporte. Depois serviria de porto de abrigo para novas aventuras e novos feitos, e que ao longo foi dando a tão famosa designação de império e que o mundo rendido aos factos, colocou Portugal no topo dos países de destaque. Hoje com a evolução que o mundo durante estes 600 anos sofreu, consignou-nos o estatuto de melhor destino turístico ilhéu em todo o mundo, atribuição dada já em três anos consecutivos e isso enche-nos de orgulho. Pena é que aquilo que nos tornou conhecidos e que levou 600 anos a ser o que somos, tenha sido banido do nosso meio de deslocação de e para o regresso à nossas origens, os transportes marítimos de e para o continente, de onde inicialmente partiram as primeira caravelas e descobriram este maravilhoso jardim plantado no meio do Atlântico. O mundo evoluiu, mas o mar continua a proporcionar um meio para servir de deslocação, mais que não fosse por questões históricas. Será que estaremos à espera de descobrir o meio de transporte para regressar às origens?

    A. J. Ferreira