Lisboa-Funchal, um exemplo!

21 Set 2014 / 02:00 H.

    Violante Saramago Matos

    Foi mais de trinta minutos antes da hora indicada para o embarque, que os passageiros do voo 1627 de Lisboa para o Funchal, na 6ª feira, dia 19, foram chamados para os procedimentos de controlo. Desta vez, pensei eu, nada a dizer; por este andar ainda saímos mais cedo. Pois, caro leitor, bem podia ter mordido a língua.


    Tudo correu bem na apresentação do cartão de embarque e documento de identificação. Descemos a escada até ao autocarro que esperava. Uma vez dentro dele, esperava o autocarro e desesperávamos nós. Mais de meia hora ali dentro, de pé, o autocarro já cheio, uns 90 passageiros apertados. Chegou um segundo autocarro para onde mais passageiros entravam. E todos à espera. Finalmente partimos em direcção ao avião.


    Lá chegados, estava uma carrinha estacionada bem junto à escada de entrada no avião. E pessoal a entrar e a sair, intercomunicadores em acção. Parecia que alguma coisa não estava a correr bem ou que ainda faltava qualquer assunto para acabar. O nosso autocarro parou a considerável distância. E os passageiros outra vez à espera.


    Ao fim de algum tempo, qual não é o nosso espanto: com toda a calma do mundo, ignorando aqueles tipos que estavam cansados de esperar por causa dele, quem é que sai da carrinha e sobe a escada com toda a tranquilidade? O presidente da Assembleia Legislativa. Confesso, disse um palavrão. Bem pior que ‘Raios partam tanta cagança’ – que é o máximo que posso dizer aqui.


    Das duas uma: ou é uma viagem particular e não tem que ter tratamento diferenciado ou é viagem oficial e aí, no mínimo, tem a obrigação ética e moral (palavras com que o dr. Miguel Mendonça está sempre pronto a encher a boca) de não ser arrogante com quem, objectivamente, lhe paga a viagem. Mas para quem foi, e é, cúmplice de tanto insulto e tanto destrato durante anos a fio, seria verdadeiramente de esperar outra coisa?


    Mas não me venham com balelas de segurança – que o que aconteceu 6ª feira é o caminho mais rápido para a falta dela: bastava um qualquer passageiro dar largas à sua justíssima indignação e sua excelência, no mínimo, ouviria das boas.


    Nada disto, repito, tem a ver com segurança. Tem a ver com outra coisa, sinteticamente enunciada por um outro passageiro: que pavão!

    Outras Notícias